A Igreja Católica anunciou nessa terça-feira (24), que o Papa Leão XIV aprovou a celebração de beatificação do padre italiano Nazareno Lanciotti, morto aos 61 anos em Jauru (a 463 km de Cuiabá), em fevereiro de 2001.
A cerimônia será realizada no dia 13 de junho, às 9h (10h no horário de Brasília), no próprio município de Jauru (405 km de Cuiabá), em Mato Grosso. A celebração será presidida pelo cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, que participará como representante oficial do pontífice. A missa terá transmissão ao vivo pelo canal da Canção Nova Cuiabá no YouTube.
Nazareno Lanciotti ficou conhecido na região pela atuação pastoral e pelo posicionamento firme contra injustiças e abusos de poder. Após o assassinato, fiéis iniciaram mobilizações pedindo o reconhecimento de seu martírio e a abertura do processo de canonização.
Em 2007, a Santa Sé autorizou a abertura da investigação sobre a vida, virtudes e circunstâncias da morte do sacerdote. A documentação foi encaminhada ao Vaticano dez anos depois para análise. Um dos critérios fundamentais para a beatificação é o reconhecimento de que a morte ocorreu por ódio à fé — condição atribuída ao caso, conforme divulgado pelo Movimento Sacerdotal Mariano do Brasil.
Com a beatificação, o padre passa a ser reconhecido como “beato”, etapa anterior à canonização, quando pode ser oficialmente declarado santo pela Igreja. A cerimônia deve atrair fiéis de diversas regiões do estado e do país.
Sobre Nazareno Lanciotti
Nazareno Lanciotti ficou conhecido na região pela atuação pastoral e pelo posicionamento firme contra injustiças e abusos de poder.
Nazareno Lanciotti nasceu em 3 de março de 1940, em Roma, na Itália. Foi ordenado sacerdote em 1966 e, seis anos depois, em 1972, veio para Jauru (MT) por meio da Operação Mato Grosso, movimento missionário de voluntariado.
Ao chegar ao município, iniciou o trabalho pastoral celebrando missas em espaços improvisados e prestando assistência a doentes e famílias em situação de vulnerabilidade. Em 1974, fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar. Em 1987, passou a integrar o Movimento Sacerdotal Mariano, do qual se tornou presidente nacional.
Além da atuação religiosa, destacou-se pelo posicionamento firme diante de problemas sociais da região. Denunciou casos de exploração de crianças e adolescentes, prostituição e tráfico de drogas. Em um dos episódios mais marcantes, chegou a se ajoelhar durante um confronto armado por disputa de terras para tentar evitar mortes.
Em fevereiro de 2001, foi rendido dentro de casa por dois homens armados e atingido por disparos.
Fiéis celebram legado espiritual do mártir Padre Nazareno Lanciotti
Fiéis da cidade de Jauru recordaram, neste fim de semana, os 25 anos de martírio do Padre Nazareno Lanciotti. O sacerdote contribuiu com ações pastorais na igreja local, demonstrando fé, amor a Deus e serviço. Veja o vídeo divulgado pelo canal da Canção Nova.