Skip to content
Novas pilotas

PMs mulheres conquistam espaço no Ciopaer: ‘Quebrando barreiras’

Polícia | as
PMs mulheres conquistam espaço no Ciopaer: 'Quebrando barreiras'
? Foto: Foto: Victor Ostetti/MidiaNews

Dois convites feitos neste ano mudaram a história do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), que voltou a ter mulheres entre suas pilotas após 15 anos.

A major Maíla Ferreira Barbosa passou a integrar a equipe de asas rotativas, que opera helicópteros, enquanto a capitã Cláudia Sousa se tornou a primeira mulher a pilotar aeronaves de asa fixa na história da unidade, criada há 20 anos.

Leia mais

A chegada das duas policiais militares representa um novo capítulo para o Ciopaer e amplia a presença feminina em funções tradicionalmente ocupadas por homens.

Para Cláudia, o convite também significou a retomada de um sonho de infância, deixado de lado ao longo da vida para seguir a carreira policial.

“Eu já havia sonhado com essa oportunidade quando ainda era criança, mas meu destino e minha história mudaram para outra carreira. Quando recebi esse convite para fazer parte da equipe de asa fixa do Ciopaer, aceitei por se tratar de uma pretensão antiga”, afirmou.

A formação, no entanto, foi marcada por desafios e exigiu que ela superasse tanto as dificuldades técnicas quanto o próprio medo de pilotar a aeronave.

“Meu primeiro voo foi um grande desafio. Foi quando eu senti mesmo medo e até pensei em desistir”, relatou.

Com o avanço do treinamento, porém, a insegurança deu lugar à confiança e ao desejo de usar a nova função para contribuir com a sociedade e com a atuação policial. Hoje, como integrante oficial da equipe, Cláudia encara o posto na cabine da aeronave como motivo de orgulho, mas também de responsabilidade.

“Eu sou muito feliz com essa oportunidade de ser a primeira mulher piloto de avião. É uma sensação boa. A gente carrega a responsabilidade de fazer o melhor, até para demonstrar que, por se tratar de uma atividade muito técnica, independentemente do gênero, a gente pode desempenhar a função”, afirmou.

Enquanto Cláudia se torna pioneira na aviação de asa fixa, a major Maíla representa outra frente da presença feminina no Ciopaer. Ela recebeu o convite para ingressar na aviação e decidiu aceitar o desafio após conversar com a família.

Assim como Cláudia, Maíla relatou que a formação não foi fácil. O processo durou cerca de três meses e incluiu aproximadamente 40 horas de voos práticos, período em que precisou conciliar a preparação técnica, o aspecto emocional e a atuação profissional.

Apesar dos desafios, a superação ao longo da formação tornou a conquista ainda mais significativa para a militar, que vê no próprio ingresso e no da colega uma quebra de barreiras para ampliar a presença de mulheres na aviação policial de Mato Grosso.

“Eu acredito que hoje esse cenário está mudando. A gente vê na internet várias mulheres que fazem parte da aviação, tanto pública quanto civil. Essas barreiras estão sendo quebradas, e aqui em Mato Grosso, com o Ciopaer, comigo e com a comandante Cláudia, a gente está ajudando a mudar esse cenário”, declarou Maíla.

Um cenário ainda desigual

Victor Ostetti/MidiaNews

Maíla Barbosa no helicóptero

A major Maíla Ferreira é a segunda mulher a atuar como piloto de helicóptero na unidade

A baixa presença de mulheres na aviação ainda é uma realidade no Brasil. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) mostram que, das 29.359 licenças expedidas nos últimos 20 anos para atuação na aviação comercial no país, apenas 3,7%, o equivalente a 1.103, foram destinadas a mulheres.

No primeiro semestre de 2026, das 808 licenças concedidas até junho, 45 foram destinadas ao público feminino.

Para ajudar a transformar esse cenário no contexto mato-grossense, Cláudia ressaltou a importância de novas oportunidades e manifestou o desejo de que a atuação dela e de Maíla incentive outras mulheres a ingressarem na área.

“A gente pode desempenhar a função e, agora, acredito que, com essa oportunidade, estamos quebrando barreiras e abrindo espaço para que outras mulheres que também desejarem possam estar aqui conosco”, afirmou.

Mudança dentro da unidade

Fundado em junho de 2006, o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), foi criado com o objetivo de modernizar as atividades operacionais aéreas da segurança pública de Mato Grosso.

Com sede no Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, e uma base descentralizada em Sorriso, o Ciopaer atua em patrulhamento ambiental e policial, ações de defesa civil e humanitárias, além de operações aeromédicas, resgates e transporte de órgãos para transplante.

As atividades são realizadas por cerca de 124 servidores, entre policiais civis e militares, bombeiros militares e servidores civis, que se dividem entre as funções de pilotos, tripulantes, mecânicos e áreas administrativas.

O coordenador do Ciopaer, tenente-coronel Thiago Braz, destacou a evolução da unidade ao longo das duas décadas de atuação. Segundo ele, o centro, que começou com apenas uma aeronave, tornou-se uma estrutura essencial para a Segurança Pública e para o atendimento à população.

 

Victor Ostetti/MidiaNews

Thiago Braz

O coordenador do Ciopaer, tenente-coronel Thiago Braz

“O legado do Ciopaer é essa condição que ele atingiu hoje. Considero que, aos 20 anos, ele se tornou imprescindível para a sociedade mato-grossense”, afirmou.

Apesar da estrutura consolidada, o coordenador ressaltou a importância de ampliar a presença feminina e despertar o interesse de novas gerações pela aviação. Segundo ele, esse movimento começa ainda na formação de futuros profissionais.

Uma das iniciativas adotadas pelo Ciopaer é o projeto Decolando, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), que oferece formação gratuita de piloto privado de avião a jovens de baixa renda e estudantes do ensino médio da rede pública estadual.

A iniciativa busca ampliar as oportunidades de qualificação e inserção no mercado de trabalho, oferecendo formação para a carreira de piloto civil de avião conforme as normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Segundo Thiago, o projeto também busca garantir equilíbrio na participação entre homens e mulheres, com a previsão de uma composição de 50% de vagas para cada público.

Para o coordenador, a atuação de Cláudia e Maíla também pode intensificar o interesse pela aviação e servir de referência para outras profissionais.

“Essas portas, tanto para o público que vem até nós para se formar como piloto, por meio de um projeto social, quanto para a major Maíla e a capitã Cláudia, que conseguiram se formar pilotos e agora trabalham conosco, foram abertas”, ressaltou.

A intenção é que a presença feminina também avance para outras áreas. Atualmente, segundo Braz, não há mulheres atuando como mecânicas de voo na unidade.

A expectativa é que, futuramente, elas também ocupem esse espaço e outras funções dentro da corporação.

“Elas vão servir de inspiração para inúmeras outras mulheres quererem servir conosco e quererem ir para a aviação civil. Vão servir de inspiração”

Mulheres que já fizeram história

Apesar do retorno das mulheres à cabine de comando, a presença feminina no Ciopaer não começou com Cláudia e Maíla. Outras profissionais já atuaram na unidade ao longo dos anos, inclusive como tripulantes durante as missões.

Victor Ostetti/MidiaNews

Pedro Paulo

O coronel Pedro Paulo: “A máquina está na mão delas”

O coronel Pedro Paulo, que está no Ciopaer desde 2009 e acompanhou parte do processo de consolidação da unidade, destacou a importância dessas profissionais na atuação operacional.

“Os tripulantes, eu costumo dizer que eles são os olhos dos pilotos, porque os pilotos conseguem enxergar somente do ombro para frente. Os tripulantes já não. Eles são os olhos dos pilotos”, explicou.

Entre as mulheres que passaram pela unidade está a comandante Jussara, apontada como a primeira mulher a pilotar uma aeronave de asas rotativas no Ciopaer.

Com a chegada de Cláudia e Maíla, a unidade volta a contar com mulheres na função de pilotagem, agora em diferentes modalidades.

“A máquina está na mão dela, está na mão da Maíla, está na mão da Cláudia. Então, é uma responsabilidade tremenda”, afirmou Pedro Paulo.

Maíla, que está há 15 anos na Polícia Militar, é a segunda mulher a atuar como piloto de helicóptero na unidade. Cláudia, com 12 anos de corporação, fez história ao conquistar a licença para pilotar aviões de asa fixa.


✅Siga o canal do GC Notícias no WhatsApp.
?Siga nosso perfil no Instagram.

Foto Flagrante