A Fundação de Saúde Comunitária de Sinop (Santo Antônio), responsável pela gestão do Hospital Regional de Sinop, rompeu o contrato com a Pró-Clin – empresa que presta o serviço de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), adulto e pediátrica no Hospital Regional. Com o cancelamento do acordo comercial, a empresa fará a retirada dos equipamentos, medicamentos e profissionais alocados na UTI do Hospital.
Segundo o gerente geral da Pró-Clin, Adriano Sousa, a empresa recebeu uma carta comunicando o cancelamento do contrato. A ruptura acontecerá em dois momentos. Amanhã, sábado (30), encerra o serviço de UTI adulto prestado pela empresa. A partir do dia 15 de maio serão suspensos os serviços da UTI pediátrica e neo-natal. “O contrato previa a rescisão unilateral [por qualquer uma das partes]. A Fundação nos comunicou que não tinha mais interesse no serviço prestado pela Pró-Clin e cabe a empresa acatar”, informou o gerente geral da empresa.
A Pró-Clin possui dois contratos referentes ao serviço de UTI do Hospital Regional de Sinop. O primeiro foi firmado no final de 2014, durante a gestão do interventor Manoelito Rodrigues, e é referente aos 15 leitos de UTI adulto. O segundo contrato foi firmado já no governo Pedro Taques (PSDB), em junho de 2015, e se refere aos 10 leitos de UTI infantil. Ambos os contratos tinham vencimento previsto para junho de 2017, quando encerra também o contrato do Estado com a Fundação de Saúde Comunitária de Sinop.
Para implantar as UTI’s do Hospital Regional a Pró-Clin investiu cerca de R$ 2 milhões em equipamentos, além de deslocar profissionais da saúde especialistas em medicina intensiva. Com equipamentos novos e uma equipe com experiência, a UTI do Hospital de Sinop, embora pública, era avaliada como uma das 3 melhores do Estado.
Com a suspensão do contrato, esses equipamentos serão retirados do hospital. Conforme o gerente da Pró-Clin, na UTI Adulto, alguns equipamentos são do Estado, embora a maioria sejam da empresa. Já na UTI pediátrica, inaugurada por Taques em junho de 2015, todos os equipamentos são da Pró-Clin. “Não há possibilidade de manter as UTI’s funcionando sem esses equipamentos. Será preciso instalar outros no Hospital”, revelou Adriano.
A empresa fez uma proposta de compra ou locação dos equipamentos para a Fundação Santo Antônio. Até o momento, informou Adriano, não houve uma manifestação sobre o interesse em permanecer com os aparelhos. A proposta tem validade até hoje, sexta-feira. “Embora o contrato tenha sido rompido, a empresa mantém um bom relacionamento com a Fundação Santo Antônio e estamos dispostos a colaborar com o que for necessário”, ressaltou o gerente da empresa.
O “bom relacionamento” independe dos prejuízos financeiros que a empresa está tendo com o Hospital Regional. O pagamento pelos serviços da UTI Infantil estão atrasados desde janeiro. Já os da UTI adulto, desde fevereiro. Estima-se que a Pró-Clin tenha aproximadamente R$ 2 milhões para receber em valores atrasados. São pagamentos que deveriam ter sido feitos pela Fundação Santo Antônio.
O outro lado
O GC Notícias tentou ouvir os representantes da Fundação de Saúde Comunitária de Sinop. Em ligação para o presidente da Fundação, o médico Jorge Nishimura, a secretária informou que ele estava ausente e que não estava autorizada a repassar o seu celular. Deixamos um telefone para contato mas o mesmo não retornou.
Buscamos também contato com o vice-presidente da Fundação, o senhor João Carlos Giraldi e fomos informados que o mesmo se encontra na Alemanha, com previsão de retorno em um mês. Nos telefones do Hospital Regional de Sinop (3533-2900 e 3533-2907) também não houve resposta. A informação é de que os números foram desabilitados.
Com isso não há posição da Fundação de como serão geridas as UTI’s do Hospital, se haverá compra ou locação de equipamentos ou mesmo a terceirização para uma segunda empresa privada. Outra preocupação é quanto ao período de “desinfecção”, que será necessário após a retirada dos atuais equipamentos e a instalação dos novos.
Além das UTI’s do Hospital Regional, Sinop conta com UTI’s no Hospital Santo Antônio, de propriedade da Fundação.