Cada vez mais combatidos em todo país, os trotes universitários que expõem e ridicularizam os novos acadêmicos ainda existem na cidade de Sinop. O ritual de recepção dos “calouros” é marcado por chacotas, ridicularização e exposição pública.
Foi o que a lente do GC Notícias flagrou na última sexta-feira (13). Estudantes que iniciaram a formação de engenharia civil na Unemat neste semestre foram recebidos pelos acadêmicos mais antigos com um trote pouco amigável. As imagens mostram o momento que os calouros são levados para desfilar na rua, em frente ao Colégio Estadual Ênio Pipino. De mãos dadas, sujos de tinta, os acadêmicos carregavam cartazes de papelão pendurados em seu corpo, com dizeres que denominavam pejorativamente cada um dos “bichos”. Alguns ainda estavam com parte do cabelo raspado.
Os “veteranos” (acadêmicos mais antigos), acompanhavam a marcha de carro, com som alto e buzinando para chamar a atenção dos transeuntes. O percurso encerrou em uma casa, em frente ao Colégio Estadual, onde foi realizada uma confraternização com mais algumas “brincadeiras” e desafios aos calouros.
Outra prática também comum em Sinop são os trotes que levam os acadêmicos para os semáforos para arrecadar dinheiro. Enquanto os carros aguardam o sinal abrir, os calouros, sujos de tinta, passam veículo por veículo pedindo uma colaboração. Geralmente o dinheiro é empregado em uma festa de confraternização com os estudantes mais antigos de cada curso.
Extremo oposto
Enquanto algumas turmas conservam o velho ritual de ingresso no ensino superior, outras usam esse momento de passagem de uma forma um pouco menos vexatória e mais produtiva. Foi o que fizeram os acadêmicos do curso de Direito, de uma faculdade privada de Sinop. Eles aplicaram um “trote solidário”, requisitando dos calouros a arrecadação de alimentos não perecíveis. Foram 1,8 mil quilos de alimentos levantados no total. O fechamento do trote foi no sábado, com o repasses dos alimentos para instituições filantrópicas do município.