Sinop pode ser o ponto de partida para uma ambiciosa empresa chinesa ingressar no mercado brasileiro. O representante da Zhuhai Yuren Agricultural Aviation, Jeff Yi esteve na manhã desta quinta-feira (25), visitando o município. O executivo se reuniu com a prefeita Rosana Martinelli (PR), pediu informações sobre incentivos fiscais, produção agrícola e disponibilidade de áreas para a instalação da sua indústria. Sinop é uma das 10 cidades que o grupo chinês tem sondado no país.
A Zhuhai Yuren Agricultural Aviation é a 3ª maior fabricante de drones da China e a primeira a expandir sua produção para fora do país, em busca de novos mercados. A empresa é especializada no desenvolvimento de drones (aeronaves de pequeno porte controladas remotamente), e softwares para uso essencialmente agrícola. A companhia conta com mais de 80 patentes de produtos na China e também pedidos de patentes internacionais na Europa e América, Coréia do Sul e Japão, Austrália, Brasil e outros países.
Segundo Jeff Yi, os drones agrícolas fabricados pela companhia são amplamente utilizados na Coréia do Sul, Japão, Malásia, Itália, Bélgica e Taiwan, na pulverização de produtos químicos líquidos, fertilizantes granulares, em pó e até sementes, dependendo da cultura. Basicamente, os equipamentos fabricados pela Zhuhai Aviation fazem um serviço similar ao um pulverizador agrícola, só que voando.
Atualmente a empresa opera com dois modelos em sua linha agrícola. O menor tem capacidade de carga de 10 litros de calda (defensivo, fungicida, fertilizantes, etc), pulverizando essa quantia em 9 minutos, cobrindo até um hectare nesse tempo. O modelo maior tem o dobro da capacidade (20 litros), cobrindo 2 hectares em 9 minutos.
O drono é operado de forma pré-programada pelo software. As coordenadas da área a ser pulverizada são lançadas no sistema, que opera a aeronave. O drone faz o sobrevoo, liberando o produto conforme a programação, retornando para base quando for necessário recarregar a bateria ou reabastecer seu compartimento de carga. “Nossos drones são ideais para médios produtores, cobrindo toda sua propriedade e também para grandes produtores, de soja, milho ou algodão, que praticam a agricultura de precisão. Outro uso é na intervenção e combate a pragas. Os drones permitem uma resposta imediata em um determinado ponto da fazenda que está sendo atacado”, explicou Jeff.
Na China os equipamentos da Zhuhai Aviation cobrem uma área de 500 mil hectares de lavouras. Os planos para o Brasil incluem a implantação de uma fábrica de drones para atender ao mercado nacional. Essa indústria receberia os componentes da China, montando os drones no Brasil. Segundo o executivo de vendas, Ricardo Carvalho, que acompanha a missão de Jeff, o interesse em montar uma fábrica local é a redução do impacto tributário. “Montando os drones no Brasil a empresa recebe incentivos e, com isso, reduz seu custo em impostos”, ressaltou.
A indústria no Brasil – que pode vir a ser em Sinop – demandará um investimento de 5 milhões de dólares, grande parte em componentes. Jeff estima a geração de 100 postos de trabalho inicialmente, com uma demanda de 10 mil unidades fabricadas nos primeiros 2 anos. Para tal, a companhia busca uma área com 2,5 mil metros quadrados a 5 mil metros quadrados.
A prefeita de Sinop ofereceu um terreno para os chineses. A área em questão pertence ao município, localizada na MT-423, que dá acesso à cidade de Cláudia. Parte desse imóvel já foi transmitido, também como incentivo, para instalação da Indústria de Fertilizantes da Yara. “O Brasil é reconhecido pelo seu potencial agrícola e o Mato Grosso se destaca acima de tudo. Sinop é uma cidade que cresce muito, tem muito potencial”, declarou Jeff.
A decisão deve ser tomada pelo grupo ainda no primeiro semestre de 2018.