O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de liminar da defesa de Cleusa Bianchini e manteve a prisão preventiva da acusada de mandar matar o advogado José Antônio da Silva, de 65 anos. A vítima foi encontrada morta nos fundos da casa onde morava, na região central de Nova Ubiratã (a 426 km de Cuiabá), em junho de 2025.
A decisão é do presidente da Corte, ministro Herman Benjamin, que não identificou ilegalidade evidente nem urgência capaz de justificar a soltura antes da análise definitiva do habeas corpus.
A defesa alegou excesso de prazo, sustentando que Cleusa está presa desde 26 de julho de 2025 e que a instrução processual já foi encerrada, restando apenas a juntada de um relatório técnico sobre a análise do celular da vítima.
Os advogados também pediram o relaxamento da prisão ou, alternativamente, a substituição da medida por cautelares diversas ou prisão domiciliar, em razão da idade da acusada.
Ao prestar informações ao STJ, a Comarca de Nova Ubiratã informou que o processo não sofreu demora por inércia do Judiciário. Segundo o juízo, a ação é complexa, envolve quatro réus, diversas testemunhas, quebra de sigilo bancário, extração e análise de dados de celulares, além de perícias e diligências em diferentes órgãos.
Na decisão, Herman Benjamin destacou que, em análise preliminar, não verificou flagrante ilegalidade na manutenção da prisão preventiva. Por isso, negou a liminar e determinou a solicitação de novas informações ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e ao juízo de primeiro grau antes do julgamento definitivo do habeas corpus.
O processo também será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) para emissão de parecer.
O crime
José Antônio da Silva foi encontrado morto no dia 26 de junho do ano passado, no quintal da casa onde morava, em Nova Ubiratã. A polícia foi acionada através da denúncia falsa feita por Giovanna, de que na casa dele ocorria maus-tratos a animais. Ela disse aos policiais que o advogado morava sozinho e que os cachorros dele estavam bastante agitados.
Chegando no local, a polícia se deparou com o portão da casa fechado. Os policiais subiram no muro de uma casa vizinha e conseguiram avistar a vítima caída no chão.
Ele já estava morto a vários dias e foi assassinado com um tiro na cabeça.
Envolvidos
Os três membros da mesma família apontados como mandantes do assassinato do advogado José Antônio da Silva, de 65 anos, foram identificados como Cleusa Bianchini, de 68 anos, seu filho Alessandro Henrique Vageti, de 47, e a sua neta Giovanna dos Santos Vageti, 23, filha de Alessandro. O autor dos tiros é Kall Higor Pereira Machado.
Cleusa estaria devendo cerca de R$ 4,5 milhões ao jurista, valor referente a honorários advocatícios decorrentes de uma ação de reintegração de posse movida contra ela.