A superstição em torno da sexta-feira 13 é antiga e alimenta o imaginário popular há décadas. No entanto, estudos científicos realizados em diversos países mostram que não há qualquer evidência de que a data traga riscos adicionais à saúde ou à segurança.
Uma das pesquisas mais recentes, publicada em 2024 na revista Annals of Surgery Open, avaliou 19.747 cirurgias realizadas nos Estados Unidos entre 2007 e 2019. O levantamento comparou procedimentos feitos em sextas-feiras 13 com os realizados em dias comuns (como os dias 6 e 20 do mês) e concluiu que não houve aumento nas taxas de mortalidade, complicações ou reinternações.
Outro estudo, da Universidade de Helsinque, na Finlândia, analisou acidentes de trânsito ocorridos entre 1989 e 2002. A ideia era verificar se as mulheres estariam mais propensas a se envolver em colisões na data — uma hipótese popular no país. O resultado descartou qualquer ligação entre o dia e o risco de acidentes.
Pesquisadores da Alemanha também examinaram mais de 27 mil cirurgias entre 2001 e 2010, sem encontrar associação entre complicações médicas e fatores como sexta-feira 13, signos do zodíaco ou fases da lua. Já nos Estados Unidos, uma pesquisa publicada no American Journal of Emergency Medicine em 2012 indicou que os atendimentos em emergências na sexta 13 são semelhantes — ou até inferiores — aos de outros dias.
Na Austrália, outro estudo analisou 56 mil internações por síndrome coronariana aguda entre 1999 e 2014. O levantamento não identificou qualquer influência da data no risco de infarto ou morte.
Embora as estatísticas não sustentem o temor, a superstição resiste. As raízes históricas incluem desde a Última Ceia de Jesus (com 13 pessoas à mesa), passando pela prisão dos templários em uma sexta-feira 13 de 1307, até o impacto cultural do livro Friday, the Thirteenth (1907) e da franquia de filmes de terror que imortalizou o personagem Jason Voorhees.
A ciência, contudo, é categórica: sexta-feira 13 é apenas mais um dia no calendário.