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Sinop

Servidora acusa vereador tomar documento de farmácia regional

Política | as
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O fato ocorreu na manhã de quinta-feira (15), por volta das 9h, e foi narrado em um Boletim de Ocorrência registrado na delegacia de polícia civil de Sinop, pela servidora pública que presenciou a ação. De acordo com o registro feito na delegacia, o vereador de Sinop, Wollgran Araújo (DEM), entrou na Farmácia Regional que atende a região do grande Boa Esperança, localizada na Avenida André Maggi, pedindo a relação dos medicamentos que estavam em falta no estoque da unidade. A servidora que atendeu Wollgran comunicou a coordenação da Farmácia para que verificasse a possibilidade de atender ao pleito do vereador. A servidora foi orientada a passar as informações verbalmente para o vereador, informando quais os medicamentos estavam faltando na unidade.

Segundo a servidora narrou no Boletim de Ocorrência, Wollgran não ficou satisfeito com a resposta e invadiu o espaço onde são armazenados os medicamentos e começou a revistar as prateleiras. Nesse momento o vereador viu a lista de medicamentos que estava na prancheta da servidora, tomou das suas mãos e guardou o documento no bolso da calça. A servidora insistiu para que Wollgran devolvesse a relação dos medicamentos, mas o vereador simplesmente virou as costas e foi embora, entrando em seu carro e deixando o local.

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Segundo o secretário de Saúde de Sinop, Manoelito Rodrigues, o documento que o vereador tomou da servidora e levou embora era um “check list” (uma lista de conferência), dos medicamentos que precisavam ser repostos na unidade. “É um documento de controle interno. Os funcionários das farmácias regional fazem o levantamento do estoque disponível na unidade e relacionam os medicamentos que precisam ser repostos. Essa lista é encaminhada para o CALS (Centro de Apoio Logístico de Saúde), que recebe a relação e processa para que os medicamentos que estão na central sejam encaminhados para as unidades espalhadas pela cidade”, explica Manoelito.

Conforme o secretário, após o envio da lista para o CALS, o medicamento que está em falta – caso esteja disponível no estoque central – é encaminhado para a farmácia regional em um prazo médio de 24 horas. O documento subtraído pelo vereador não tinha cópia, uma vez que se trata de uma relação dinâmica. Conforme o secretário, a ação de Wollgran ao roubar o documento obrigará as servidoras a fazer um novo levantamento, formulando um novo check-list que será encaminhado para o CALS. Ou seja, o ato do vereador atrasou em pelo menos 2 dias a reposição dos medicamentos na unidade de distribuição.

Servidores que trabalham na farmácia regional disseram que o vereador compareceu outras vezes na unidade no último mês, buscando “tiras de reação para testes de diabetes”. Tratam-se de pequenos pedaços de papel com um componente reagente que indica o índice de glicose no sangue de uma pessoa. As tiras são especialmente importantes para portadores de diabetes terem controle do seu índice glicêmico. As fitas seriam para a filha do vereador, que é portadora de diabetes. “Realmente tivemos um problema com esse item. Fizemos a licitação e expedimos a ordem de compra, mas o fornecedor atrasou a entrega. A situação já está regularizada”, afirma o secretário de Saúde.

 

Boletim de Ocorrência registrado pela Servidora

Wollgran nega

O GC Notícias entrou em contato com o vereador Wollgran Araújo através do seu gabinete, na tarde dessa sexta-feira (16) – horário de expediente da Câmara. O assessor informou que o vereador não se encontrava na Câmara e passou o número do seu celular. Por telefone a reportagem contatou Wollgran, informando o assunto.

Wollgran disse que não estava sabendo, que não havia subtraído documento nenhum e que não havia acontecido nada. Insistimos informando do B.O registrado pela servidora, ele disse que iria até a delegacia registrar um Boletim de Ocorrência, que já resolveria o assunto e desligou o telefone, informando que retornaria. Cerca de 40 minutos retornou dizendo que estava na delegacia e que não havia nenhum B.O registrado contra ele. Informamos o número do documento, o vereador agradeceu e garantiu que retornaria a ligação.

Cerca de uma hora e meia depois Wollgran contatou o GC Notícias. O vereador disse que ficou surpreso com a denúncia registrada no Boletim de Ocorrência e que não tomou a lista de medicamentos a força. “Eu estive na Farmácia para apurar a situação do estoque de medicamentos. Solicitei a relação, ela pediu a permissão do superior e pegou uma lista em branco e foi fazendo um ‘x’ nos remédios que estavam faltando. Depois ela me entregou a relação e eu saí da farmácia”, declarou Wollgran, afirmando que não houve conflito algum com a servidora.

Wollgran encaminhou para o GC Notícias uma imagem que alega ser a lista dos medicamentos que recebeu na Farmácia Regional. O vereador também apresentou uma certidão expedida pelo Ministério Público as 9h30 de quinta-feira (15). Wollgran foi ao MP protocolar as informações referentes a falta de medicamentos, que estavam na relação. O MP entendeu que não haviam informações suficientes para caracterizar uma denúncia formal. “Eu estava no exercício da minha função, fiscalizando os estoques de medicamentos da rede pública… … não se pode querer trancar os direitos do vereador”, reforçou Wollgran.

Segundo o vereador, a relação apontava a falta de 39 medicamentos na Farmácia Regional, que atende os pacientes SUS. “Até paracetamol e dipirona estava faltando”, comentou Wollgran, que pretende oferecer uma denúncia sobre o assunto na próxima semana.

 

Certidão do MP alegando que Wollgran apresentou a lista dos medicamentos como informação ao órgão

A primeira página de um total de 5 do documento que o vereador diz ter recebido da servidora

Câmara sem corregedor

O GC Notícias também entrou em contato com a Câmara Municipal para saber se a corregedoria da casa de leis tomaria algum providência com relação a denúncia feita pela servidora – uma vez que a situação pode ser enquadrada como quebra de decoro parlamentar. A assessoria da Câmara informou que o cargo de corregedor do legislativo está “vago”, ou seja, não existe um corregedor empossado. O último corregedor da Câmara foi Fernando Assunção (PSDB), no biênio 2013-2014. Desde o final da vigência a Câmara não elegeu um novo corregedor.

Foto Flagrante