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Saneamento

Sema autoriza operação do aterro em Sinop

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Sema autoriza operação do aterro em Sinop
? Foto: Foto: GC Notícias

O aterro sanitário para receber resíduos sólidos (lixo), construído pela Sanorte no município de Sinop, está autorizado a funcionar. A Licença de Operação n° 321702/2020 foi expedida pela Sema (Secretaria Estadual de Meio Ambiente), na última sexta-feira (5).

O documento, que autoriza a operação do empreendimento, foi retirado pelo representante da empresa na manhã desta terça-feira (9). Segundo a engenheira ambiental da Sanorte e responsável técnica pelo projeto do aterro, Renata Grassel, alguns ajustes operacionais ainda precisam ser finalizados antes de abrir o aterro.

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São detalhes como instalação da rede de internet e aferição pelo Inmetro da balança que pesa os resíduos que ingressam no aterro. “Não temos uma data definida ainda para iniciar a operação, mas deve ocorrer nos próximos dias”, explicou a engenheira.

Hoje todo o lixo doméstico de Sinop recolhido é direcionada para o aterro da Sanorte que fica em Primaverinha – distrito de Sorriso. Para viajar por 120 km, o lixo coletado nas casas do município antes vai para uma estação de transbordo, onde é acondicionado em contêineres, carregados por caminhões até Primaverinha. Esse serviço, assim como a coleta e a destinação final, é contratado pela prefeitura de Sinop. Com um aterro local é possível extinguir a estação de transbordo – ou caso a estratégia seja manter o ponto de acumulação, encurtar significativamente o preço do transporte.

O aterro construído pela Sanorte em Sinop, autorizado pela Sema, fica próximo a MT-140, sentido Santa Carmem. É uma área com 101 hectares, antigamente utilizada para agricultura, que foi adquirida pela empresa e convertida em aterro.

A estrutura terá capacidade para receber 200 toneladas de lixo por dia. Sinop produz cerca de 125 toneladas de resíduos por dia. O aterro sanitário é para resíduos classe IIA e IIB (não perigosos). O empreendimento tem capacidade para atender 8 municípios da região, dos quais 5 já são atendidos pela empresa com sua unidade de Primaverinha.

O aterro sanitário de Sinop conta com 19 programas de monitoramento. A estrutura foi projetada para ter uma vida útil de 30 anos. Ao longo desse tempo a Sanorte estima que investirá R$ 47 milhões nesse complexo para destinação final do lixo.

 

Como funciona um aterro?

O processo de aterramento do lixo começa com a escavação do solo. Na unidade da Sanorte em Sorriso, são 4 metros de profundidade a partir do nível normal do terreno. A implantação da estrutura é feita de forma gradual, de acordo com a demanda de resíduos que dão entrada no aterro. Ou seja, não se trata de abrir uma grande vala e despejar lixo nela.

Após a primeira escavação, o solo recebe uma camada com 50 cm de espessura de argila e cascalho. Esse material é densamente compactado e funciona como a primeira impermeabilização do solo. Sobre a argila compactada é estendida uma geomembrana, uma espécie de lona de alta resistência, com 1,5 mm de espessura, soldadas em suas emendas. Sobre a geomembrana é colocada mais uma camada de argila compactada, idêntica a anterior. Isso dobra a capacidade de impermeabilização do aterro e evita que a lona se rompa.

Com a “vala” pronta, o lixo já pode ser depositado. Os resíduos que chegam em carretas fechadas são espalhados e compactados por um trator de esteira. O equipamento pesado rasga as embalagens, otimizando a disposição do lixo no aterro. Quando a camada de lixo compactado atinge 3,5 metros de altura, uma carga de terra é jogada por cima e compactada.

Isso faz com que não haja lixo constantemente exposto. Cada camada de lixo compactado coberto com terra é chamada de talude. A primeira camada atinge o nível normal do terreno. A partir disso, os resíduos começam a ser empilhados, em um formato similar a uma pirâmide. Quando a última camada é concluída, a área é revestida com grama, o que evita erosões e diminui a infiltração da água das chuvas no lixo.

Todo o aterro tem uma ampla rede de drenagem para a água das chuvas. As águas são uma das principais preocupações em um aterro, pois podem comprometer a estabilidade do solo e do maciço (nome dado ao lixo compactado).

Embaixo da terra, o lixo começa seu processo de decomposição. Bactérias se alimentam dos resíduos, gerando gás metano e o chorume, que fica retido nas camadas de impermeabilização. Para retirar o gás e o chorume, o aterro conta com uma rede interna de drenagem. São dutos feitos com pedra em meio a camada de lixo, repetidos em cada um dos taludes. A cada 30 metros, esses dutos são conectados a uma torre de ferro armado e pedras, que vão até o topo do aterro. Com a gravidade, o chorume escorre pelos dutos e é drenado do restante do lixo. Esse líquido é recolhido e encaminhado para o tratamento, em lagoas impermeabilizadas. O chorume passa por 7 etapas diferentes de tratamento, biológicos e químicos, até estar pronto para ser devolvido ao meio ambiente. Parte da água evapora pela ação do sol, o que funciona muito bem no Mato Grosso, que tem forte insolação. O restante do resíduo líquido pode ser diluído e descartado em um córrego, sem poluí-lo. O lodo, que é a parte sólida, é depositado no aterro.

Pelas torres conectadas ao sistema de drenagem do chorume escoa o metano. O gás sai do subsolo em tubos de concreto, de forma constante, onde é queimado. A queima do gás é importante para promover a quebra das moléculas, reduzindo assim o potencial poluente do metano.

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