Uma imagem de uma criança com manchas vermelhas pelo corpo circulou nas redes sociais durante o final de semana, mobilizando inclusive autoridades políticas. A foto foi apresentada como se tratando de um caso de dengue hemorrágica em uma criança de Sinop que teria sido confirmado por exame e ainda assim dispensada sem o devido tratamento.
Muitas pessoas acabaram se mobilizando, seja repudiando a saúde pública do município ou se oferecendo para ajudar a família e a criança. O problema é que o alvoroço, motivado inclusive por um funcionário público da prefeitura de Sinop, não passou de um desespero.
Segundo o secretário de Saúde de Sinop, Manoelito Rodrigues, não se trata de dengue hemorrágica e sim de uma reação alérgica. “A criança também não foi desassistida. Ela recebeu os atendimentos médicos dos pediatras de plantão, realizou exames de sangue que descartaram a suspeita de dengue hemorrágica. Como o quadro alérgico não persistiu o menor recebeu alta médica”, ressaltou Manoelito.
Frente a proporção que o “boato” tomou, a secretaria de Saúde iniciou um levantamento para saber exatamente o que havia acontecido. O posicionamento foi exposto pelo secretário em uma nota técnica à imprensa. Conforme o documento assinado pelo secretário de Saúde, a família chegou com a criança na Unidade de Pronto Atendimento na sexta-feira (2), às 5h16, quando recebeu o primeiro atendimento. As 5h23 recebeu o segundo atendimento, que é a classificação de risco. Seguindo as normas do Protocolo de Manchester, a criança recebeu a classificação de cor azul – sem urgência.
A mãe do menor relatou que a criança apresentava manchas vermelhas por todo o corpo, que continuavam mesmo após tomar um antialérgico – que não soube informar qual era, nem a dose e nem quem havia prescrito. Quando foi chamada para a consulta médica, as 6h20, a criança e seus responsáveis não estavam mais na UPA.
Ainda na sexta-feira, às 14h20h, a criança deu entrada no atendimento do Hospital Regional de Sinop. O médico que realizou o atendimento não detectou as manchas na criança e solicitou um exame de sangue para afastar outras hipóteses, visto que a mãe dizia ser dengue hemorrágica. Sem sintomas mais graves, a criança foi liberada. No dia seguinte, às 7h20, a mãe retornou ao Hospital com o resultado dos exames. O médico pediatra do plantão descartou a suspeita de dengue e não constatou qualquer anormalidade que se enquadrasse como urgência e emergência. A mãe apresentou a foto tirada da criança “dias atrás”, ao médico do plantão que manteve o seu diagnóstico como possível causa alérgica.
Segundo Manoelito, a equipe da secretaria foi atrás da criança através do endereço registrado no momento do atendimento na UPA. O pai do menor informou que ele estava bem e que o rompante da mãe, durante o atendimento, foi devido ao medo de se tratar de um caso de dengue hemorrágica. Ele também justificou que não aguardou o atendimento na UPA porque não havia médico na unidade – que segundo Manoelito, não condiz com a verdade.
Frente a exposição dos pacientes, das instituições públicas e dos servidores que nela trabalham, provocada por um boato transmitido por um servidor público da prefeitura, Manoelito pretende abrir um processo administrativo para apurar a conduta, que classificou como “imprudente e desrespeitosa”.
Segue abaixo a nota técnica na íntegra:
NOTA TÉCNICA À IMPRENSA
A partir da denúncia vinculada em redes sociais referente a uma criança de Sinop que teria tido seu atendimento médico negligenciado no Hospital Regional, a secretaria municipal de Saúde buscou tomar conhecimento dos fatos e traz ao público a seguinte informação oficial:
– O menor em questão teve o primeiro atendimento na Unidade Pronto Atendimento no dia 02/10/2015 às 05:16h (recepção), e o segundo atendimento ocorreu às 05:23h (enfermeiro do plantão) quando teve classificação de risco (Protocolo de Manchester) instituído pelo Ministério da Saúde, de cor azul. A mãe do menor relatou que a criança apresentava manchas vermelhas por todo o corpo, sendo que havia tomado anti-alérgico (não especificado qual medicamento, nem a dose e nem quem havia indicado o uso), sem que houvessem melhoras do quadro apresentado. Após a classificação necessária para o atendimento médico no plantão, o menor com os responsáveis não foi localizado nas dependências da UPA. O atendimento foi registrado como “Não Respondeu ao Chamado” às 06:20h.
– Ainda na mesma data, às 14:20h, a mãe levou o menor para atendimento no Hospital Regional de Sinop. O atendimento foi realizado e não foram observadas manchas na pela da criança (alegado pela mãe). Seguindo a conduta médica, foi solicitado exame de sangue para afastar outras hipóteses, visto que a mãe dizia ser dengue hemorrágica. No dia seguinte, as 07h20min, a mãe retornou ao Hospital Regional de Sinop com o resultado dos exames que foram avaliados pelo médico pediatra do plantão. O profissional não constatou qualquer anormalidade que se enquadrasse coo urgência e emergência. A mãe apresentou a foto tirada da criança “dias atrás”, ao medico do plantão que manteve o seu diagnóstico como possível causa alérgica. A mãe fora orientada e liberada para casa mas, não satisfeita com o diagnóstico, solicitou o nome da médica e se retirou do consultório.
– Por fim, para a realização do atendimento em qualquer unidade de saúde, torna-se obrigatório o uso do cartão SUS, instituído pelo Ministério da Saúde, documento este oficial de uso único, pessoal e obrigatório, que a exemplo de outros documentos também não foram apresentados pelos responsáveis – o que não impediu de realizar o atendimento. Foi registrado no prontuário médico agressividade verbal dos responsáveis pela criança diante do atendimento já na recepção do hospital.
A Secretaria Municipal de Saúde tentou contato telefônico com os responsáveis através dos números informados no primeiro atendimento na UPA e no hospital regional de Sinop. O serviço de telefonia informa que os números são inexistentes. O contato com o pai só foi possível nesta data após a unidade móvel no município localizar através do endereço a residência do menor. O pai da criança garantiu que a mesma esta melhor, que o processo alérgico sumiu e que a agonia da mãe foi causada por populares que afirmaram se tratar de “dengue hemorrágica”. Ele confirmou ainda que a mãe estava nervosa na ocasião, que a mesma faz uso de remédios controlados e não seria recomendado falar com a mesma no momento da visita. O pai ainda relatou que no dia 02/10/2015 não aguardou o atendimento na UPA, porque não havia medico na unidade (o que não condiz com a verdade).
Elucidado os fatos, a SMS considera, IMPRUDENTE e DESRESPEITOSA, a divulgação de fotos ou quaisquer ato ou informação de pacientes vinculando a mídia sem a devida informação correta, principalmente por agentes públicos que tem a obrigatoriedade de ajudar na condução do serviço disponível para a sociedade. Para tanto, serão estudadas a medidas administrativas (a exemplo de outros casos) para que tais fatos não tornem a se repetir sem que a verdade seja apurada, que sejam preservadas a imagem e história dos pacientes, como também dos servidores no exercício da função. REPUDIAMOS atos como os praticados. A SMS, que nunca foi procurada para elucidação do problema, procurou de todas as formas apurar e dar esclarecimento ao caso cumprindo com o seu dever de cuidar da saúde e promover a qualidade de vida da população.