Um relatório produzido pelo Ministério Público de Mato Grosso traz um dado alarmante em meio à pandemia de Coronavírus. Conforme o levantamento, entre 28 de fevereiro e 27 de abril, 266 pessoas morreram no Estado por “Síndrome Respiratória Aguda” (SRAG) – que é o termo utilizado para enquadrar também óbitos decorrentes do Covid-19.
O dado foi apresentado como um contraponto aos registros oficiais do Estado, que computam 10 mortes por Coronavírus. O compilado agrupa todas as mortes relacionadas a SRAG. São 94 por insuficiência respiratória e 129 por pneumonia.
A pesquisa foi alicerçada na Central de Informações do Registro Civil (CRC Nacional). Nesse levantamento foram 223 mortes. O MP também colheu informações junto aos cartórios do Estado, o que elevou o número para 266.
O levantamento, realizado por determinação do procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges Pereira, foi feito pelo Centro de Apoio Operacional. O MP acredita que o atraso nos resultados dos exames e a falta de testes tem feito com que o número de óbitos relacionados ao Covid-19 seja menor do que o real. O procurador-geral disse que as informações relativas à pandemia da Covid-19 no Brasil e em Mato Grosso ainda não estão claras.
Desdobrando o relatório
O levantamento traz dados gerais dos óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave – o que inclui desde casos agravados pelo tabagismo, outras comorbidades e o próprio Covid-19.
Pelo relatório a situação mais calamitosa é de Coxipó da Ponte, um distrito da cidade de Cuiabá. Conforme os registros cartoriais, foram 120 óbitos por insuficiência respiratória – todos associados a outras comorbidades.
Em Sinop, os dados cartoriais apontam 19 certidões de óbito como causa da morte insuficiência respiratória – nenhuma relacionanda ao Covid-19.
Em Lucas do Rio Verde, são 13 certidões de óbitos com essa causa mortis, sendo uma assinalada como Covid-19. Em Sorriso são 11 certidões de óbito referentes a Síndrome Respiratória Aguda Grave.
Em 23 cartórios do Estado não houve nenhum registro dessa natureza. Diamantino e Itiquira não responderam a solicitação de informações do MP. Depois do cartório de Coxipó da Ponte, o maior número de registros vem de Rondonópolis, com 24 casos.