Apesar dos diferentes níveis de governança e portes das empresas do setor, Gallegos explica que, na agropecuária em geral, há diversos casos de produtores que demoram demais para negociar os problemas financeiros, à espera de melhoria dos resultados de campo na safra seguinte. Isso contribuiu para que a inadimplência se tornasse uma “bola de neve” para muitos. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de risco pelos bancos, que acabam exigindo mais garantias para a concessão de crédito.
O cultivo de soja permanece na liderança entre os segmentos mais afetados. Das 539 companhias que estavam em recuperação judicial no primeiro trimestre deste ano, 243 são de produção da oleaginosa. Na sequência estão as empresas de criação de bovinos de corte, com 89, e de cultivo de cana-de-açúcar, com 49, de acordo com a RGF.
O Grupo Diamante do Tocantins foi um dos que tiveram o pedido de recuperação judicial deferido ainda no primeiro trimestre, no dia 25 de março. A companhia atua na produção, beneficiamento e comercialização de grãos, com destaque para arroz, soja e feijão. Em nota, o grupo informa que recorreu à proteção contra os credores diante de dificuldades que surgiram após problemas causados pelo clima. O passivo total é estimado em cerca de R$ 500 milhões. Entre os principais credores estão Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Fertilizantes Tocantins.
“O governo está tentando encontrar soluções para o agro, mas enquanto ainda estiver com essas taxas de juros e os empresários como um todo com dificuldade para conseguir crédito, vai continuar havendo recuperações judiciais”, estima Gallegos, da RGF.