“Se eu conseguir ser presidente de uma CPI da Energia Elétrica, me dou satisfeito”. Foi assim que o deputado estadual, Faissal Calil (Cidadania), respondeu a pergunta do porque está buscando a reeleição. Para o deputado, a CPI instaurada na atual legislatura sobre o setor energético de Mato Grosso não foi “satisfatória”. “Ainda tem muito a ser apurado sobre a tarifa de energia elétrica e para explicar ao consumidor porque ele paga tanto”, pontuou o candidato.
Faissal esteve na redação do GC Notícias na tarde desta terça-feira (16), onde falou das suas propostas, do seu desempenho como deputado e de alguns pontos que considera críticos no governo do Estado. Deputado de primeiro mandato, Faissal foi vereador em Cuiabá entre 2013 à 2016, pelo PSB. Migrou para o PV onde conquistou uma vaga na Assembleia em 2018 e na janela eleitoral migrou para o Cidadania, onde encuba seu projeto à reeleição. Embora sua base eleitoral seja em Cuiabá, Faissal disse ter representatividade e uma certa “presença política”, em 70 municípios. No Norte do Estado, o candidato tem uma ligação maior com Alta Floresta e os municípios no entorno, e também a cidade de Sorriso, de onde são alguns familiares.
Dentro da Assembleia, Faissal está no grupo da minoria que faz oposição ao governador Mauro Mendes (União Brasil). “Não faço uma oposição desleal. O objetivo é fiscalizar o Estado e fazer as coisas andarem”, comentou.
Ao longo do seu mandato, Faissal apresentou 494 indicações, 141 projetos de resolução, 89 requerimentos, 56 projetos de lei, 6 projetos de lei complementar e 2 propostas de emenda à Constituição. São números expressivos para um deputado de oposição. Os projetos mais “embativos”, acabaram sendo engavetados pela maioria. Foi o caso do projeto que criava um Fundo Parlamentar para onde deveria ir as “sobras” das verbas de natureza indenizatória – as famosas verbas de gabinete. Cada deputado estadual recebe R$ 65 mil por mês para suas despesas de gabinete. É o dobro da média nacional. Somente Faissal, nos primeiros dois anos, conseguiu “não gastar” R$ 1 milhão dessa verba. Ele queria que esse valor, dele e de outros deputados, fosse para um fundo, que deveria ser obrigatoriamente investido em outras áreas, como educação e saúde. A proposta iluminada, acabou em uma gaveta escura.
Mas Faissal brilhou na luz do sol. Até hoje o ato mais reconhecido dele como deputado foi o embate com o Governo do Estado referente a “taxação do sol”. O atual governo vinha praticando uma alíquota de 17% de ICMS sobre a energia solar produzida – o que afetava desde quem tinha um painel solar no telhado de casa, até usinas solares de grande porte. Faissal apresentou um projeto de lei que proibia o Estado de “taxar o sol” – no caso cobrar o ICMS sobre a energia solar. A lei foi aprovada pela Assembleia, vetada pelo governador Mauro Mendes e o veto foi derrubado pelos deputados. Na sequencia o poder judiciário proibiu a cobrança. “A energia solar é o futuro. É limpa, abundante e hoje é um concorrente natural da Energisa [concessionária de energia em Mato Grosso]. A energia solar é uma forma das pessoas e das empresas baixar a conta de luz em Mato Grosso, que é alta”, justificou.
Para Faissal, o setor energético no Estado ainda esconde muitos malfeitos. O deputado afirmou que o atual governador tem um conflito de interesse com a energia solar, uma vez que seu filho tem participações em várias PCH’s (Pequenas Centrais Hidrelétricas) e a Bimetal (empresa de Mauro Mendes), é um fornecedor de materiais para torres nas redes de distribuição – tendo a Energisa como potencial cliente. “Por mais um ano a Energisa teve um lucro recorde”, provocou o candidato.
Mais do que uma política pública para inviabilizar novas fontes energéticas, Faissal denuncia erros na tarifa de energia. Para o deputado, o preço cobrado foi errado. Extravasando a função administrativa, ele ingressou com uma ação, como advogado, contra a Energisa e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). No processo, Faissal pede a devolução de R$ 454 milhões aos consumidores de energia, por cobrança indevida. O argumento é de que o índice utilizado para o reajuste das contas, o IGPM, foi abusivo, visto que teve uma variação de 31% no último ano. “Foi um aumento abusivo, ainda que o contrato defina que o índice de correção é o IGPM. O índice ideal deveria ser o IPCA, que mede a alta de todos os preços”, argumentou.
Faissal ainda citou os juros praticados pela concessionária e outras práticas que ele considera lesivas para sociedade mato-grossense. E isso justifica a sua vontade de abrir uma nova CPI para investigar o segmento. “A CPI que teve não foi satisfatória. Tem muito para investigar. Quero presidir essa comissão e ter o poder de fazer as diligências. Ai sim vamos ver”, instiga o candidato.
Outras tomadas
Outra crítica que Faissal fez foi quanto a forma como o Governo do Estado vem tratando as emendas parlamentares – que são as frações do orçamento que o deputado escolhe onde deverão ser gastas. O deputado tentou emplacar dois projetos de lei afim de obrigar do Governo do Estado a destinar essas emendas de todos parlamentares – não apenas dos “amigos” do bloco de situação. “O pagamento das emendas tem que atender a necessidade da população, não ser uma ferramenta de perseguição política. A emenda existe para garantir a independência do parlamentar. A emenda é sagrada, porque reflete exatamente a necessidade de uma cidade, de um setor ou de um grupo de pessoas que cobrou seu deputado e apontou o problema”, argumentou Faissal. “O deputado precisa ser independente e fiscalizar o Governo do Estado. E a Assembleia não deve ser um puxadinho do Estado”, completou.
Um dos projetos de lei que Faissal tentou passar foi o que priorizava as emendas destinadas à saúde. Dessa forma, o governador só poderia começar a pagar as outras emendas (que não fossem da saúde), depois de quitar as prioridades. Assim, deputados da oposição poderia garantir a aplicação de suas emendas que fossem da saúde. “O governador ia poder pagar as emendas dos deputados que mandaram dinheiro para fazer festa e show no interior. Mas primeiro ia ter que pagar nossas emendas da saúde”, provocou.
Ainda no embate com o governo, Faissal foi o autor de projetos de lei que tentaram restringir a cobrança de pedágios nas estradas estaduais. Um dos projetos tentava reverter parte do pedágio gasto pelo motorista como crédito no IPVA – esse não foi aprovado. Outro, aprovado, foi a obrigatoriedade da Assembleia Legislativa aprovar todo novo pedágio que o governo pretender implantar nas estradas. Até então, o governador privatizava e pedagiava estradas por decreto.
Faissal também se destaca pelos projetos voltados a proteção dos animais.