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Patrimônio Histórico

Prédio do primeiro Fórum de Sinop ainda existe e desembargador pede o tombamento histórico

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Prédio do primeiro Fórum de Sinop ainda existe e desembargador pede o tombamento histórico
? Foto: Foto: GC Notícias

Os escaninhos que um dia guardaram os processos judiciais, agora armazenam peças de metal e borracha. Na sala do júri onde os primeiros detratores de Sinop foram julgados, amontoam-se mangueiras de diferentes bitolas. O prédio que abrigou o Poder Judiciário no município fica na área central, na entrada da cidade, perto do viaduto da BR-163, mas não pode ser visto da rua. Diferente dos fóruns de todo Brasil que exibem sua fachada imponente, o primeiro fórum de Sinop está escondido nos fundos de uma loja de ferramentas e borracha – vendado como a própria Deusa Têmis, esfinge que simboliza a justiça, timidamente pintada no oitão da entrada, em um azul que insiste em não desbotar.

Quem desvendou essa memória quase esquecida do prédio histórico foi o desembargador presidente do TRE/MT, Carlos Alberto da Rocha. Na última semana o desembargador esteve em Sinop para participar de um evento e, em uma folga antes da agenda, decidiu tentar reencontrar o chão onde deu os primeiros passos na sua carreira da magistratura. Acontece que antes de ser o presidente do Tribunal Eleitoral, Rocha foi juiz em várias comarcas do interior, incluindo Sinop. Rocha foi o segundo juiz da comarca, no ano de 1986, quando a cidade tinha apenas 10 anos de emancipação. “Deu um pouco de trabalho, mas encontrei o prédio onde trabalhei como juiz 36 anos atrás”, comentou o desembargador.

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O prédio que Rocha “encontrou”, fica na Avenida Júlio Campos, número 60. Quem procurar o endereço encontrará a Almaro Borrachas e Ferramentas – no mesmo lugar onde antes operava a Estrela da Borracha. O prédio que abrigou o primeiro Fórum de Sinop fica nos fundos e só pode ser acessado por dentro da loja. O imóvel é utilizado como depósito pela Almaro.

Segundo o historiador, professor Luiz Erardi, o Fórum foi instalado nesse local em 1985 e obrigou o poder judiciário até 1992, quando o atual prédio, ao lado da catedral, foi entregue. Mas o imóvel é mais antigo. Antes de servir como fórum, a estrutura foi sede da Comicel (Cooperativa Agrícola Mista Celeste), uma agremiação que reuniu alguns dos primeiros produtores rurais de Sinop e região.

Para Rocha, Sinop deveria tentar preservar essa memória. Durante o evento, o desembargador dedicou parte do seu discurso para se dirigir ao prefeito Roberto Dorner, pedindo ao gestor que avalie a possibilidade de promover o tombamento histórico e cultural do prédio que abrigou o primeiro Fórum de Sinop. “No futuro vamos nos perguntar porque não nos preocupamos em preservar essa memória histórica e cultural. Então estou fazendo minha parte e dizendo agora que seria importante que Sinop pensasse em tombar e quem sabe revitalizar esse prédio”, discursou Rocha.

Sinop tem um único imóvel tombado pelo patrimônio histórico e cultural. Trata-se do prédio do antigo restaurante Colonial, no centro da cidade, que em 2013 teve a estrutura da cobertura sabotada, ruindo parcialmente. Caso a gestão municipal decida acatar a sugestão do desembargador e proceder com o tombamento histórico, o prédio continuaria pertencendo aos atuais proprietários, que passariam a ter a obrigação de conservar o imóvel, mantendo suas características arquitetônicas.

Hoje o prédio pertence à Almaro. O proprietário da empresa, Diogenes Eller, lembra que o imóvel foi comprado em 2001. “Na época tinham árvores na frente, que removemos para construir a loja”, comentou o empresário.

Sobre a possibilidade de ter seu imóvel tombado pelo patrimônio histórico, Diogenes disse que implicaria em um custo e uma responsabilidade a mais para a empresa e que não teria nenhum retorno com isso. Já em um caso de desapropriação – em que o poder público indenizaria a empresa pelo terreno – Diogenes considera inviável, uma vez que a empresa está no mesmo ponto comercial há mais de 20 anos.

O GC Notícias esteve no prédio nesta terça-feira (5). Poucas intervenções foram feitas no imóvel. Algumas paredes entre as salas foram removidas, ampliando o tamanho das repartições e ajustes foram feitos para atender a legislação no que diz respeito ao projeto de combate a incêndio e pânico. As paredes de tijolo à vista – que marcam a edificação – as janelas com arco superior, as cerâmicas do piso e as aberturas de madeira, são as mesmas. O prédio sequer foi repintado nesses anos todos. A sala do júri ainda tem os degraus onde ficavam os jurados, o réu e o juiz.

Antiga sala do júri hoje serve de depósito de mangueira

Antiga sala do júri hoje serve de depósito de mangueira

Antiga recepção do primeiro fórum de Sinop

Parte dos fundos do imóvel histórico

Desembargador Carlos Alberto da Rocha visitando o prédio do antigo Fórum na semana passada

Foto Flagrante