Uma ossada humana em avançado estado de esqueletização, encontrada na manhã de domingo (19), às margens da Estrada Monalisa, em Sinop, pode pertencer a um jovem desaparecido há aproximadamente dois meses. A informação foi confirmada pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que aguarda o resultado do exame de DNA para confirmar a identidade da vítima.
Os restos mortais foram localizados por um morador da região que recolhia espigas de milho remanescentes da colheita para produzir ração animal. A ossada estava entre 15 e 20 metros da pista, em uma área de mata aberta que, até recentemente, era utilizada como plantação de milho.
De acordo com a perícia, durante a colheita mecanizada, o maquinário agrícola passou sobre o cadáver, fragmentando os ossos e espalhando os restos mortais por um raio de aproximadamente cinco metros.
A Polícia Militar isolou a área e acionou equipes da Polícia Civil, Politec e Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos periciais. No local, foram recolhidos fragmentos com pele e couro cabeludo, além das roupas da vítima — uma bermuda vermelha e uma camiseta escura —, que poderão auxiliar no processo de identificação.
Segundo a DHPP, logo após a localização da ossada, os investigadores cruzaram informações com registros de desaparecimento e encontraram um caso que coincide com o tempo estimado pela perícia.
A avaliação inicial indica que o corpo permaneceu no local entre 60 e 90 dias, período compatível com o desaparecimento de um jovem morador do bairro Menino Jesus.
Familiares do desaparecido forneceram material genético, que foi encaminhado para análise em Cuiabá. O resultado do exame de DNA deverá ser divulgado entre 60 e 90 dias e será determinante para confirmar ou descartar a identidade da vítima.
Mesmo antes da confirmação oficial, a Polícia Civil já trabalha com a hipótese de que a ossada pertença ao jovem desaparecido. Conforme o delegado, a vítima era usuária de drogas e havia recebido um “salve” — punição aplicada por integrantes de facções criminosas — devido a uma suposta dívida relacionada ao tráfico.
Pouco tempo depois desse episódio, o rapaz desapareceu sem deixar pistas, o que reforça a principal linha investigativa da DHPP.
Em relação à causa da morte, a análise preliminar não identificou perfurações aparentes no crânio que indiquem disparos de arma de fogo. No entanto, somente os exames periciais realizados em Cuiabá poderão apontar, se possível, a forma como a vítima morreu.
O delegado revelou ainda que a Polícia Civil já havia recebido uma denúncia informando que um corpo estaria escondido em um milharal na mesma região. Na ocasião, equipes realizaram buscas durante dois dias, porém em outro ponto da plantação, sem sucesso, já que o denunciante não conseguiu indicar o local exato por medo de represálias.
Com a localização da ossada no último domingo, os investigadores acreditam que a informação recebida anteriormente fazia referência ao mesmo caso.
A principal suspeita é que o local tenha sido utilizado como ponto de desova, ainda durante o período em que o milharal estava alto, o que teria dificultado a localização do corpo por várias semanas. A investigação prossegue para confirmar a identidade da vítima, esclarecer a dinâmica do crime e identificar os responsáveis pelo homicídio.