Peixes mortos, de diferentes tamanhos e espécies, começaram a boiar ao longo do Córrego Rosana, em Sinop, na tarde de ontem, terça-feira (27). O curso hídrico localizado na parte Sul do município é um afluente do Teles Pires e está sendo utilizado para o lançamento de efluentes da usina de etanol de milho da Inpasa. A planta industrial iniciou suas operações há 15 dias.
Moradores e proprietários de áreas ao longo do córrego entraram em contato com o GC Notícias e também acionaram a Sema (Secretaria Estadual de Meio Ambiente), relatando o ocorrido. Na manhã desta quarta-feira (28), uma equipe da Diretoria da Unidade Desconcentrada da Sema em Sinop foi averiguar a situação.
Conforme a assessoria de comunicação da Sema, as apurações preliminares constataram alteração na turbidez da água e concentração de sólidos suspensos (partículas sólidas que comprometem a qualidade da água). Além de percorrer trechos do rio e coletar amostras, os analistas da Sema também inspecionaram as instalações da Inpasa.
A suspeita inicial dos analistas é que a morte dos peixes tenha sido provocada por uma alteração na qualidade da água, possivelmente ocasionada por um extravasamento da bacia de contenção da planta industrial da usina de etanol. “Os analistas da pasta estão realizando novas coletas para identificação do material extravasado e constatar se há alteração ou não na qualidade da água”, relatou em nota.
A Inpasa possui permissão do órgão ambiental para fazer o lançamento dos seus efluentes (resíduos líquidos da produção industrial), no Córrego Rosana. Conforme o RIMA (Relatório de Impacto Ambiental), apresentado pela empresa, 90% dos efluentes lançados no córrego são oriundos do processo de resfriamento ou da água que sai da caldeira – que não possuem quantidades expressivas de sólidos em suspensão.
Uma das preocupações poderia ser a temperatura desses efluentes no momento que são lançados. Para o gerente da Inpasa Sinop, Fernando Alfini, não existe essa possibilidade. “Os efluentes saem em temperatura ambiente, inclusive, a Sema atestou isso in-loco”, declarou Alfini.
Conforme o gerente da planta industrial, a Inpasa está empenhada em entender o que aconteceu. “Nossos processos são rígidos em relação ao meio ambiente. Mitigamos qualquer dano ambiental. Estamos fazendo análises e queremos esclarecer este fato o mais rápido possível”, assegurou Alfini.
Segundo a Sema, assim que forem apuradas as responsabilidades, todas as medidas administrativas cabíveis serão tomadas.