A “Era Blairo Maggi” dos grandes consórcios com produtores passou, mas a parceria entre o governo do Estado e agricultores continua rendendo estradas pavimentadas no Norte de Mato Grosso.
Completando 18 anos de existência, a Abrajas (Associação dos Beneficiários da Rodovia João Adão Scheeren), mantém o consagrado modelo de parceria público-privada com o setor produtivo que faz o asfalto chegar na lavoura.
Nesse momento a associação conduz o projeto de pavimentação na MT-422, no município de Santa Carmem, entre o Rio Tartaruga e o local conhecido como Sete Placas. O trecho de 40 km começou a ser pavimentado em junho do ano passado, quando foram cobertos 5 km.
Na semana passada, a estrada de terra voltou a ser coberta. Uma equipe de trabalho fez a imprimação da via, que deve receber a capa asfáltica esta semana. “As galerias de drenagem e os bueiros estão todos prontos no trecho de 40km. Nossa expectativa é de que até setembro desse ano [quando começam as chuvas], teremos mais 25km da rodovia pavimentados”, revelou o presidente da Associação, Agenor Pelissa.
A conclusão deve ocorrer em 2022, após o período das chuvas. A obra está orçada em R$ 35 milhões e é executada por uma empreiteira contratada. Desse valor, 84% é bancado pelo Governo do Estado. Os 16% restante vem dos produtores rurais da região. “A contribuição que a Associação pede é que cada produtor beneficiado pela via doe o equivalente a uma saca de soja por hectare de lavoura aberta. Já os recursos do Estado vem do Fethab, um fundo abastecido pelo agronegócio e que tem como função promover a melhoria da malha viária”, acrescentou Pelissa.
Mais do que ajudar a pagar a conta, a Associação provocou essa obra. Criada em 2003, a Abrajas surgiu com o propósito de pavimentar a MT-140, no trecho entre Sinop a Santa Carmem (36km), e seguir na MT-422 até o Rio Tartaruga (38km). Em 2008 a associação cumpriu sua missão, concluindo a obra.
Ao invés de dissolver a associação, a diretoria decidiu manter a Abrajas ativa e pleitear uma nova parceria para estender a pavimentação. A meta era seguir o caminho a partir do Rio Tartaruga até a Sete Placas.
Depois de 3 diferentes governos, a associação recebe uma sinalização positiva em 2019, já na gestão Mauro Mendes. A orientação do Estado era para que a associação fizesse o projeto de pavimentação, o que facilitaria a aprovação. “O Fethab tinha recursos, o problema é que o Estado não tinha projetos”, lembrou Pelissa.
Através da Associação, os produtores desembolsaram R$ 780 mil para contratar o projeto. O documento foi recepcionado pelo vice-governador Otaviano Pivetta e o processo andou.
Agora a associação se prepara para uma nova etapa, assim que a pavimentação até as Sete Placas for concluída. A ideia é seguir o caminho até a conecção com a MT-423, onde a malha viária se interliga os municípios de Claudia e União do Sul. “Com mais esse trecho teríamos uma malha viária ramificada, excelente para escoar a safra”, pontuou Pelissa.
Nesse novo trecho, ainda em fase de projeto, não há previsão de valores ou prazo de execução. A associação já tem a sinalização positiva do Estado para uma nova parceria.