Geral|as? Foto:Foto: Reprodução Fernando Pires/Quatro Rodas
O novo BYD Dolphin SE chegou ao mercado brasileiro por R$ 159.990 para provar que a evolução tem seu preço, mas ele pode ser facilmente justificável. Cobrando R$ 10.000 a mais em relação ao Dolphin GS, lançado em 2023, o lançamento herda o motor mais potente do Yuan Pro, adota a suspensão mais sofisticada do Dolphin Plus e reestiliza a dianteira e a cabine. A mudança, na prática, esvazia o sentido de compra da versão de entrada e isola o modelo topo de linha: hoje o Dolphin Plus custa R$ 184.800 e vende muito pouco.
O mercado mudou de figura desde que a primeira geração do hatch elétrico popularizou o segmento há quase três anos. Se antes a configuração de 95 cv desfrutava de uma liderança folgada, o atual cenário exige argumentos mais sólidos diante do sucesso do irmão Dolphin Mini (com 75 cv) e das investidas de rivais como GWM Ora 03, MG 4 Urban e Geely EX2 Max.
A fabricante garante que o GS de R$ 149.990 e a esquecida variante Plus não sairão de linha, mas a diferença estreita de preços esvazia os motivos para ignorar a nova opção nas concessionárias.
Desempenho e dinâmica superiores
A virada do hatch acontece sob o capô, que agora abriga o mesmo conjunto elétrico do SUV compacto da marca. O Dolphin SE tem 177 cv e 29,6 kgfm de torque (um ganho de 82 cv e 11,3 kgfm ante a versão GS). Esse fôlego extra muda o comportamento do veículo, que cumpre a prova de aceleração de 0 a 100 km/h em 8,1 s (uma grande melhora frente aos 12,3 s do Dolphin GS).
Para lidar com a força extra, a estrutura base passa a ser a mesma do Dolphin Plus, o que inclui a suspensão traseira independente do tipo multilink no lugar do antigo eixo de torção. O acerto dinâmico resolve a oscilação longitudinal crônica que marcava a versão de entrada. O rodar transmite maior solidez no asfalto irregular, ainda que batidas secas em distensões rápidas possam ocorrer.
Teste de desempenho
Dolphin GS
Dolphin SE
0 a 100 km/h
12,3 s
8,1 s
0 a 1.000 m
34,42 s / 148,36 km/h
29,85 s / 166,54 km/h
Velocidade máxima
160 km/h
167 km/h
Retomadas:
40 a 80 km/h
4,87 s
3,15 s
60 a 100 km/h
7,03 s
4,32 s
80 a 120 km/h
10,30 s
6,07 s
Frenagens:
60 a 0 km/h
14,31 m
14,24 m
80 a 0 km/h
25,53 m
25,36 m
100 a 0 km/h
40,92 m
39,82 m
120 a 0 km/h
58,39 m
58,91 m
Consumo:
Consumo urbano
8,4 km/kWh
7,5 km/kWh
Consumo rodoviário
7,6 km/kWh
7,2 km/kWh
Ruído neutro/RPM máx.
L.O / **
L.O / **
Ruído a 80 km/h
61,5 dBA
66,2 dBA
Ruído a 120 km/h
68,8 dBA
70,6 dBA
Velocidade real a 100 km/h
97 km/h
98 km/h
Voltas do volante
2,7
2,7
A calibração da direção elétrica ficou mais rápida nas respostas, exigindo menor esterço do volante nas curvas. Por outro lado, a sensibilidade está ainda mais artificial, e o peso emulado pelo modo de condução esportivo não compensa a falta de comunicação com o piso.
Visual alongado e cabine reformulada
Por fora, a adoção de uma dianteira alongada para proteção de pedestres fez o carro crescer. São 4,28 m de comprimento (um ganho de 15,5 cm). Os faróis estão menores, enquanto a traseira exibe lanternas com base ondulada e um novo para-choque. As demais medidas, como a largura de 1,77 m, a altura de 1,57 m e o entre-eixos de 2,70 m, permanecem inalteradas, assim como o porta-malas de 250 litros com estepe temporário.
Apesar da frente mais longa sugerir novas soluções de engenharia, a fabricante abriu mão de utilizar o espaço vazio sob o capô para criar um compartimento de carga auxiliar, recurso que tem se tornado praxe na concorrência.
A traseira acompanhou o movimento ao incorporar lanternas com base sutilmente ondulada e um para-choque traseiro reposicionado, que passa a integrar lentes refletivas horizontais mais nítidas.
O interior abandonou as antigas texturas bicolores em favor de um acabamento predominantemente preto, com os bancos dianteiros ganhando espumas de maior densidade e ajustes elétricos para o motorista. Isso, inclusive, é recorrente nos últimos lançamentos da BYD. A marca chinesa está amadurecendo o estilo interno dos seus carros.
Ainda no painel, prateleira central sumiu e o seletor de marchas migrou para a coluna de direção. Isso abriu espaço no console para um carregador sem fio de 50 W e porta-copos que finalmente podem ser usados em par.
A central multimídia de 12,8 polegadas perdeu a capacidade de girar, uma concessão indolor frente ao ganho prático do novo quadro de instrumentos digital de 8,8 polegadas, que passa a exibir os mapas do Google, ainda que a espelhamento via Android Auto apresente limitações nessa função específica. A interface digital das telas evoluiu bastante, facilitando a operação do entretenimento e do ar-condicionado durante a condução do carro.
Eficiência, recarga e pacote de segurança
A ergonomia passou por uma revisão sensível com a substituição completa dos assentos dianteiros. O motorista agora conta com ajustes elétricos, e ambos os bancos ganharam espumas de maior densidade e encostos de cabeça separados, o que corrige a falta de sustentação lateral nas curvas observada na geração anterior. O volante adotou teclas de atalho configuráveis, mas as opções de personalização ainda são tímidas e limitam-se ao controle de mídia e destino do GPS.
No quesito segurança, a lista de equipamentos preenche as lacunas da versão de entrada ao incorporar recursos de assistência semiautônoma. O pacote de nível 2 oferece controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa, monitoramento de tráfego cruzado, detecção de ponto cego e frenagem de emergência.
Na prática, o modelo absorveu praticamente toda a tecnologia de proteção da versão topo de linha, deixando para trás apenas o teto solar panorâmico. Além disso, o Dolphin SE tem ar-condicionado de uma zona (só o Plus tem duas zonas) com inéditas saídas de ventilação para o banco traseiro, que nenhum outro Dolphin tem.
A bateria de fosfato de ferro-lítio Blade cresceu de maneira tímida, passando de 44,9 para 45,1 kWh, mas a potência máxima de recarga saltou de 65 para 80 kW em carregadores rápidos. A autonomia homologada no Inmetro é de 272 km (uma redução de 19 km em relação ao GS).
O consumo urbano caiu de 8,4 km/kWh para bons 7,5 km/kWh, enquanto o uso rodoviário oscilou discretamente de 7,5 para 7,2 km/kWh. Há mais exigência de energia, mas nem sempre é necessário usar os 177 cv e isso poupa energia.
Veredicto
Embora o preço de R$ 159.990 coloque o Dolphin SE na faixa de preço de SUVs compactos bem estabelecidos, o acréscimo cobrado pela nova versão muda a perspectiva de escolha do cliente dentro da própria rede da marca. Uma bateria ligeiramente maior reforçaria o apelo contra os recém-chegados europeus e chineses, mas a relação custo-benefício atual do projeto revisto compensa essa limitação.
A união de uma suspensão traseira refinada, arquitetura ampliada, melhorias na cabine e mais potência fazem do SE a escolha mais lógica da linha Dolphin. A não ser que as concessionárias trabalhem com bons descontos nas demais versões do hatch elétrico.
1/13 As abas nos porta-copos evitam movimentos. Este é o primeiro Dolphin com saída de ar traseira e mapa nos instrumentos (Fernando Pires/Quatro Rodas)2/13 Novo painel presente no Dolphin SE é mais funcional e, finalmente, todo preto (Fernando Pires/Quatro Rodas)3/13 (Fernando Pires/Quatro Rodas)4/13 Bancos traseiros estão mais confortáveis (Fernando Pires/Quatro Rodas)5/13 Faróis arqueados têm DRL que combina com a grade iluminada de ponta a ponta do carro (Fernando Pires/Quatro Rodas)6/13 (Fernando Pires/Quatro Rodas)7/13 Porta-malas segue com 250 litros e estepe (Fernando Pires/Quatro Rodas)8/13 (Fernando Pires/Quatro Rodas)9/13 Banco do motorista ganhou ajustes elétricos (Fernando Pires/Quatro Rodas)