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Muçulmano é confundido com ‘homem-bomba’ e acaba retirado de avião nos EUA após pouso de emergência

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Muçulmano é confundido com 'homem-bomba' e acaba retirado de avião nos EUA após pouso de emergência
? Foto: Foto: Reprodução

Um passageiro muçulmano foi retirado de um avião da companhia “Southwest”, nos Estados Unidos, depois de ser considerado uma ameaça à segurança dos passageiros. O perigo ou suspeita de bomba, como foi repercutido por passageiros e políticos republicanos, era na verdade apenas uma oração que seguia as tradições do Ramadã, o mês sagrado na religião islâmica.

O “mal-entendido”, como a situação foi chamada depois pela companhia aérea, aconteceu num voo entre as cidades de Nashville (Tennessee) e Fort Lauderdale (Flórida).

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Durante o trajeto, alguns passageiros entraram em pânico e começaram a acreditar que o avião estava sob ameaça por causa da presença de um suposto “homem-bomba”. A sensação foi disseminada por toda a aeronave porque um dos passageiros tinha em mãos um telefone com um alarme que tocava de forma recorrente e, também, havia iniciado uma procura pelas próprias malas.

Em certo ponto, esse mesmo passageiro começou a rezar em árabe, o que assustou ainda mais as pessoas que não entendiam aquela língua.

A situação tornou-se séria quando o piloto informou sobre uma possível “ameaça à segurança dos passageiros” à torre de controle e fez um desvio na rota, pousando na cidade de Atlanta (Geórgia).

Depois do pouso antecipado, agentes de segurança entraram no avião, obrigaram que todos os passageiros abaixassem as cabeças e levantassem as mãos e forçaram a retirada do passageiro muçulmano, que não reagiu e saiu da aeronave.

O FBI (polícia federal dos EUA) e o Departamento de Polícia de Atlanta se pronunciaram depois de interrogarem o homem e chegarem à conclusão de que o passageiro, na verdade, não representava perigo algum: ele estava apenas rezando.

“O FBI e o departamento de polícia de Atlanta investigaram e conversaram com os passageiros do voo 2094 da Southwest. Não havia qualquer tipo de ameaça e nenhuma acusação será feita”, disseram em comunicado, sem realizar qualquer menção ao passageiro retirado à força do avião.

A companhia aérea também se pronunciou em comunicado, pediu desculpas aos passageiros, mas não informou se o homem acusado injustamente de ser uma ameaça ao voo seria indenizado ou teria direito a uma retratação.

“A equipe do voo 2094 da Southwest Airlines tomou a decisão de mudar a rota e pousar em Atlanta por uma questão de precaução numa situação que se revelou um mal-entendido relacionado ao comportamento de um dos clientes. Pedimos sinceras desculpas aos clientes pelo mal-entendido e atraso severo. Nada é mais importante para a companhia do que a segurança dos clientes.”, pontuaram.

Repercussão

A situação repercutiu nas redes sociais por causa de vídeos de passageiros e foi utilizada por alguns políticos republicanos.

O deputado da Georgia Mike Collins aproveitou para questionar por que o sistema de segurança em aeroportos, TSA, que verifica bagagens de passageiros, não recebe mais recursos do governo: “Os democratas ainda se negam a repassar recursos para a TSA. Esse voo de Nashville para Fort Lauderdale teve que fazer uma parada de emergência por causa de um homem que gritava ‘Morte à América! Morte a Trump! Vou bombardear o avião.’ Recursos para a TSA agora. Vamos tirar esses terroristas do nosso país.”

A jornalista americana Laura Loomer também comentou sobre o caso no X (antigo Twitter) com sensacionalismo: “O voo 2094 da Southwest Airlines, de Nashville para Fort Lauderdale, Flórida, foi forçado a desviar para Atlanta na noite passada depois que um passageiro muçulmano de aparência árabe ameaçou explodir o avião com uma bomba! Dá até para ver a equipe da SWAT.”

Depois do post da jornalista receber uma nota da plataforma desmentindo a situação, ela afirmou que o passageiro estava “usando o ramadã como desculpa para aterrorizar outros passageiros”. Ela completa: “Não deveríamos viver dessa forma”.

Nem o deputado nem a jornalista se corrigiram ou retiraram as acusações.

Foto Flagrante