Satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que Mato Grosso registrou 2.421 focos de queimadas nos últimos sete dias, o maior número do país. O estado, que enfrenta uma forte onda de calor e baixa umidade, ficou à frente do Amazonas e do Pará em ocorrências de incêndios.
No último mês, Mato Grosso acumulou 6.896 focos de calor, segundo o Inpe. A maioria desses incêndios ocorreu na região amazônica do estado (48,6%), seguida pelo Cerrado (38,2%) e pelo Pantanal (13,6%).
O município mais atingido é Colniza, com 1.037 focos. Outras cidades severamente afetadas incluem Barão de Melgaço (548 focos), Aripuanã (315 focos), Campinápolis (257 focos) e Nova Bandeirantes (249 focos).
Além disso, muitos dos focos de calor estão localizados dentro de Terras Indígenas (TIs), como Utiariti, Parabubure, Areões, São Marcos e Sangradouro. Na lista de TIs afetadas também aparecem outras como Paresi, Zoró e Perigara.
A situação alarmante levou a Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt) a lançar uma campanha de arrecadação para doações de água, alimentos, equipamentos como pá carregadeira e caminhão-pipa, ou contribuições financeiras. As doações podem ser feitas via PIX, na chave 32.678.220/0001-65.
“Essa situação está afetando gravemente a saúde física e mental de toda a população atingida. As perdas causadas pelos incêndios precisam ser reparadas pelos órgãos públicos e por todos que puderem ajudar, seja doando ou colaborando com os brigadistas no combate às queimadas”, declarou a Fepoimt em suas redes sociais.
Expectativa de alívio
Uma nova massa de ar polar deve trazer alívio temporário para Mato Grosso, após a intensa onda de calor. Segundo a MetSul Meteorologia, o ar frio avançará a partir da Argentina e Uruguai, atingindo os estados do Sul do Brasil entre os dias 23 e 24 de agosto, antes de seguir para o Centro-Oeste e Sudeste. A expectativa é que o fenômeno reduza os focos de calor registrados nos últimos dias.