O Ministério Público Estadual (MPE) instaurou inquérito civil para apurar a responsabilidade da construtora Plaenge no incêndio do Edifício Sunset Boulevard, um dos mais luxuosos de Cuiabá, localizado no bairro Araés. A portaria 02/2015 assinada pelo promotor de Justiça Ezequiel Borges de Campos ressalta que a construtora chegou a efetuar um recall no edifício dois meses antes do acidente, sendo o reparo ineficiente para impedir o incêndio.
“A existência de anomalias consideráveis nas instalações elétricas eram de conhecimento prévio da construtora uma vez que ela chegou a efetuar um reparo dois meses antes do acidente e que foi ineficiente”, explicou o promotor. Além disso, a investigação se faz necessária diante de uma denúncia feita por um morador do Residencial Sofisticato, entregue recentemente pela construtora Plaenge, que estaria apresentando problemas na parte elétrica como freqüentes quedas de energia.
“A contextualização desses fatos são convergentes em sinalizar a possibilidade efetiva dos projetos elétricos conter erros ou inadequações técnicas ou falhas em sua execução em todos ou em parcela dos edifícios construídos pela Plaenge nesta Capital e que resultam em vícios ocultos nesses imóveis, a infundir a necessidade integral dessas inconsistências, acaso comprovadas, salvaguardando a segurança do conjunto de pessoas que habitam as unidades edificadas”, diz um dos trechos da portaria. O documento foi assinado no dia 24 de março.
Um laudo produzido pela Politec (Perícia Oficial e Identificação Técnica) identificou que materiais precários utilizados pela Construtora Plaenge facilitaram o incêndio no Edifício Sunset Boulevard no dia 14 de outubro de 2014. Conforme documento, o acidente aconteceu em decorrência de um curto circuito elétrico e que materiais frágeis possibilitaram a propagação do incêndio.
Esse foi o segundo laudo que aponta a responsabilidade da construtora Plaenge, reforçando a tese de que o incêndio começou na parte elétrica do edifício Sunset Boulevard e não dentro de um dos apartamentos, conforme se suspeitava inicialmente.
Em novembro de 2014, foi divulgado um lado feito pela empresa Proseg Engenharia, vinculada a seguradora Sul América Seguros e contratada pelos moradores do edifício Sunset Boulevard. O promotor Ezequiel Borges citou a possibilidade de vícios nos projetos elétricos que contribuíram para a ocorrência de curtos circuitos.