Skip to content
15 casos em 2026

Mortas pelos maridos, vítimas de feminicídio em Cuiabá e VG não tinham medidas protetivas

Polícia | as
Mortas pelos maridos, vítimas de feminicídio em Cuiabá e VG não tinham medidas protetivas
? Foto: Foto: Reprodução

Nesta semana, duas mulheres, Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos, e Elzilene Alves do Nascimento, 49, foram assassinadas pelos próprios maridos. O primeiro crime ocorreu em Cuiabá e o segundo em Várzea Grande, região metropolitana da Capital. Os autores confessaram os feminicídios. Em comum, os casos têm o fato de que nenhuma das vítimas havia registrado boletim de ocorrência contra os companheiros ou solicitado medida protetiva, apesar de já terem sofrido algum tipo de violência anteriormente. A ausência de denúncias e de proteção judicial evidencia um cenário de maior vulnerabilidade das vítimas.

Em entrevista à imprensa na manhã dessa quinta-feira (7), a delegada Jéssica Assis, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), reforçou a importância de que mulheres fiquem atentas aos mínimos sinais de ciúme, controle e qualquer tentativa dos cônjuges de cercear a liberdade das vítimas. Segundo ela, esses comportamentos podem evoluir rapidamente para violência psicológica, doméstica e até feminicídio.

Leia mais

“É necessário registrar boletim de ocorrência, se resguardar. Muitas vezes a vítima pensa que está exagerando, ‘eu nem quero me separar dele’. A gente sabe que o ciclo de violência doméstica é muito complicado para uma mulher. É difícil para ela quebrar isso. Mas é importante fazer esse registro, comunicar a polícia, procurar ajuda psicológica também, porque a gente sabe que é muito fácil esses crimes escalarem”, explicou.

Na sequência, a delegada também pontuou a necessidade de amigos e familiares não serem omissos diante de casos de violência, já que denúncias podem ser feitas de forma segura e anônima pelos canais de segurança. Tanto no caso de Nilza quanto no de Elzilene, pessoas próximas relataram que os relacionamentos eram conturbados e marcados por episódios de ciúmes e até de violência.

“A família toda tem que tomar muito cuidado e colocar na cabeça que não é só a vítima que precisa registrar boletim de ocorrência. Familiares podem registrar boletim de ocorrência e é possível fazer denúncias anônimas também”, frisou a delegada Jéssica.

“A gente tem como canal de denúncia o disque 180 que é muito importante de ser utilizado, toda denúncia que vem via disque 180 para uma Delegacia da Mulher ela é apurada com muita seriedade e celeridade. A gente é cobrado para isso. Utilizem os canais de denúncia, mesmo que você não seja vítima, que seja um familiar, alerte, faça sua parte. O feminicídio é um problema social, é um problema de todos”, acrescentou.

Os casos

Na segunda-feira (5), Nilza, empresária do ramo imobiliário, foi encontrada enterrada no quintal de uma casa no bairro Parque Cuiabá, na Capital. O assassino, Jackson Pinto da Silva, de 38 anos, amarrou o corpo e usou um “enforca-gato” para matá-la. Na tentativa de ocultar o crime, ele chegou a contratar uma máquina para cavar o buraco, alegando que o serviço seria para instalação de uma manilha, e enterrou o corpo da vítima na cova.

Em Várzea Grande, Elzilene foi assassinada a facadas por Francisco Carlos Pereira da Silva, de 68 anos. O corpo dela foi encontrado em um córrego, em uma área de mata no bairro Marajoara, na manhã de quinta-feira (7). O assassino possui antecedente criminal por estupro.

Feminicídios

Ao todo, em 2026, conforme dados do Observatório Caliandra, 15 mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso e somente uma tinha medida protetiva. Março foi o mês mais violento, com seis registros. Até o momento, já foram aplicadas 6.532 medidas protetivas no Estado. Em 2025 foram 18.223.

As medidas protetivas, conforme a Lei Maria da Penha (11.340/2006), são mecanismos que oferecem garantias e segurança para que as mulheres possam denunciar seus agressores, independentemente da tipificação penal, da existência de ação penal ou cível, ou de inquérito policial e registro de boletim de ocorrência. As medidas protetivas foram criadas para coibir e prevenir a violência com a capacidade de criar restrições que, se descumpridas, geram consequências criminais imediatas ao agressor.

Denuncie 

A violência contra a mulher não pode ser ignorada e nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.

Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.

O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.


✅Siga o canal do GC Notícias no WhatsApp.
?Siga nosso perfil no Instagram.

Foto Flagrante