Mato Grosso já registrou 25.911 casos de dengue em 2016. No mesmo período, em 2015, foram registradas 14.489 notificações, o que representa um aumento de 56%. Os dados são da secretaria estadual de saúde.
A incidência registrada de dengue em 2016, até o momento é de 690 casos por 100 mil habitantes. Dos 141 municípios, 87 estão classificados como Alto Risco, 22 como médio risco, 26 como baixo risco e 6 como “silenciosos”, em que não há nenhum caso notificado. O boletim também relata o registro de 15 casos graves de dengue (com sério risco à vida), e 7 óbitos. Os municípios com mais casos registrados são Sorriso (1.758), Alta Floresta (1.742), Sinop (1.420) e Cuaibá (1.181).
Os registros de dengue de 2016 só ficam abaixo do ano de 2009, quando o Estado registrou sua maior epidemia da doença. Embora o volume de casos seja alto, a realidade pode ser ainda mais assustadora. Isso porque a dengue pode estar concorrendo com o Zika Vírus.
Só nesse ano a secretaria de saúde registrou 22.530 casos suspeitos de Febre Zika. Esses dados são gerados por diagnósticos clínicos, ou seja, conforme a avaliação dos médicos mediante os sintomas apresentados pelos pacientes. Não há uma informação precisa que esses casos foram, de fato Zika.
Segundo o boletim da secretaria de saúde, em 2016 foram liberandos 1373 exames para pacientes com suspeitas de Zika Vírus. Destes, apenas 398 pacientes apresentaram contaminação por Zika. Outros 952 tinham dengue e 23 tinham febre chikungunya.
Na semana passada uma nova leva de exames foi liberada. De 190 resultados, 63 deram Zika, 28 Chikungunya e 99 para dengue, confirmando a circulação de dois sorotipos da doença.
Os municípios com mais casos suspeitos de Zika são Cuiabá (2,6 mil casos), Nova Mutum (1,6 mil casos), Lucas do Rio Verde (1,5 mil), Várzea Grande (1,4 mil casos), e Tangará da Serra (1,2 mil). Sinop tem 1.022 casos registrados como suspeitos.
Entre os 398 casos confirmados através de exame laboratorial, 239 são pacientes de Cuiabá, 24 de Tangará da Serra e 21 de Sorriso. Sinop teve dois casos confirmados de Zika Vírus.
Ainda relacionado ao mosquito Aedes aegypti, Mato Grosso registrou 1.254 casos suspeitos de febre chikungunya.
O Estado monitora semanalmente a progressão dos casos e faz o trabalho de orientação junto aos municípios para que as ações sejam intensificadas, mas 80% dos criadouros do mosquito estão nas residências, por isso é importante o envolvimento da população.
Para reduzir os impactos causados pelo mosquito, a secretaria estadual de saíde alerta os municípios para que mantenham a rede atenta para o diagnóstico precoce da doença e o manejo correto para que mortes sejam evitadas.
Microcefalia
Mato Grosso tem 240 casos de microcefalia notificados. Destes, 120 foram investigados e descartados. Outros 89 continuam em investigação.
Dos casos já analisados, 28 foram confirmados através de diagnóstico por imagem (ultrassonografia) e 3 com amostra positiva de Zika. A má formação do crânio dos fetos está associada a contaminação da gestante pelo Zika Vírus.
Os casos notificados de microcefalia estão distribuídos em 40 municípios de Mato Grosso. A orientação da Secretaria de Estado de Saúde é para que os municípios investiguem os casos para confirmação, de acordo com o Protocolo de Vigilância, e intensifiquem o acompanhamento dos casos pela atenção à saúde.
O Ministério da Saúde considera um caso confirmado após análise clínica radiológica e/ou laboratorial. De acordo com o protocolo, a investigação da causa da microcefalia é realizada somente nos casos notificados que apresentem características clínicas e/ou laboratoriais sugestivas de infecção congênita, para a identificação da infecção pelo vírus zika, entre outros agentes infecciosos.
O Ministério da Saúde mudou, seguindo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o critério para considerar bebês com microcefalia. A medida do perímetro cefálico em recém-nascidos passou de 32 cm para 31,9 cm em meninos e 31,5 cm em meninas. Em dezembro, o parâmetro para diagnóstico da doença já havia diminuído, passando de 33 cm para 32 cm. As alterações têm como objetivo padronizar as referências para todos os países, valendo para bebês nascidos com 37 ou mais semanas de gestação.