Desde a última sexta-feira (1), o Hospital Regional de Sinop está sob a gestão direta do Governo do Estado de Mato Grosso. Após 15 de intervenção, o Instituto Gerir – OSS que administrava a unidade em caráter emergencial desde dezembro de 2017 – foi desligado das atividades no dia 31 de janeiro.
A estratégia da gestão Mauro Mendes (DEM), é fazer gestão própria da unidade, descontinuando o modelo de administração por OSS (Organizações Sociais de Saúde), iniciados em 2012, pelo então secretário de Saúde Pedro Henry. O atual gestor da pasta, Gilberto Figueiredo tem dito que, se depender dele, o Hospital Regional de Sinop não voltará ser administrado por terceiros.
O plano é fazer gestão direta. O GC Notícias entrou em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria estadual de Saúde para saber quais são as projeções do Estado para o Hospital Regional de Sinop.
A primeira informação é de que o orçamento destinado para unidade será cortado pela metade. Conforme a SES/MT, o Plano de Trabalho Anual para o Hospital Regional de Sinop estipula um repasse mensal de R$ 2.146.874,58. É menos da metade do valor do contrato com o Instituto Gerir, de R$ 4,2 milhões. “A secretaria reitera que trabalha com a meta de redução das despesas sem, é claro, afetar na qualidade do serviço oferecido à população”, afirmou a assessoria.
A secretaria não revelou quais serão os dispositivos administrativos que pretende utilizar para conseguir manter a mesma qualidade cortando o orçamento pela metade.
Informações imprecisas
A secretaria de Saúde não soube detalhar a estrutura administrativa e as metas de atendimento que o Hospital Regional de Sinop tem e terá.
O GC Notícias perguntou quantos profissionais já foram contratados para a unidade. A resposta foi que o Hospital manteve grande parte dos servidores que já trabalhavam na unidade, mas sem dizer quantos médicos, enfermeiros e técnicos estão de fato na equipe.
Como a gestão será direta pelo Estado, a secretaria informou que, provavelmente o Estado realizará um processo seletivo para contratação de novos profissionais e composição de cadastro reserva. Mas não informou quando ou quantos profissionais devem ser recrutados para compor a equipe. “Devido ao Decreto Governamental de calamidade, o hospital trabalhará com o mesmo perfil. Depois do término da obra e da aquisição do parque tecnológico, é previsto que a carta de serviços seja ampliada mediante análise das necessidades regionais”, respondeu a secretaria.
Nossa reportagem também questionou sobre a meta de atendimentos/cirurgias para o mês de fevereiro e a possível expansão ao longo de 2019. “No momento, a atual gestão está construindo um cenário de metas. Contudo, já é certo que as equipes contratadas para a realização de procedimentos cirúrgicos terão metas a cumprir. O objetivo é promover um serviço de saúde mais efetivo e ágil”, redigiu a assessoria da SES/MT.
Por fim, a secretaria informou que o Hospital de Sinop continuará operando exclusivamente via central de regulação. Isso significa que a unidade não voltará a ser “porta aberta” e que todos os pacientes atendidos pelo Hospital terão que ser obrigatoriamente encaminhados por outros serviços de Saúde, como Samu, Corpo de Bombeiros ou UPA (Unidade de Pronto Atendimento).
O Hospital Regional de Sinop foi projetado para comportar 120 leitos. Chegou a ter 91 leitos instalados. No entanto, quando o Instituto Gerir assumiu, o Estado reduziu o funcionamento para 55 leitos, até maio de 2018, quando o contrato foi aumentado e o número de leitos expandido para 75.
Como eram os números do Regional
O contrato firmado com o Instituto Gerir estipulava como meta 2.648 pacientes por mês, sendo 1.028 referentes as UTI’s Adultos, Infantis e Neo-natais, 510 da clínica médica, 510 de cirurgia geral, 255 na pediatria e 255 na clínica cirúrgica das áreas de ortopedia e traumatologia.
A planilha de metas estipulava 1.300 atendimentos ambulatoriais (consultas “corriqueiras”), 3 mil atendimentos de urgência e emergência e mais 270 procedimentos complementares, como exames que precisam ser feitos fora da unidade.