Um funcionário do Google lucrou de forma fraudulenta US$ 1,2 milhão (R$ 6 milhões) usando informações privilegiadas para fazer apostas no Polymarket sobre o que os usuários estavam pesquisando no Google, de acordo com uma denúncia criminal federal divulgada na quarta-feira (27/5) em Nova York (EUA).
Para Michele Spagnuolo, que era lotado em Zurique (Suíça), essas apostas eram certeiras porque, como engenheiro de segurança da informação do Google, ele tinha acesso a dados da empresa que rastreavam as buscas dos usuários, segundo a denúncia, que afirma que Spagnuolo “se apropriou indevidamente de informações confidenciais e valiosas não públicas de seu empregador e usou essas informações para fazer uma série de apostas relacionadas ao Google na Polymarket, uma plataforma de mercado de previsões”.
Spagnuolo, de 36 anos, é acusado de fraude de commodities, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro, noticiou o “Yahoo! News”. Ele foi demitido da empresa.
O Polymarket é o maior mercado de previsões (“prediction market”) descentralizado do mundo, que roda em blockchain e permite que os usuários apostem dinheiro em resultados de eventos reais futuros. É possível apostar, por exemplo, se Cuba será invadida pelos EUA ou se Jesus voltará à Terra ainda este ano.
“Ao contrário das contrapartes em suas negociações, Spagnuolo sabia o resultado dessas apostas antes do público em geral, porque tinha acesso a dados internos confidenciais e comercialmente valiosos do Google”, diz a denúncia.
Ele apostou corretamente — usando uma conta com o nome AlphaRaccoon — que a pessoa mais buscada no Google em 2025 seria o cantor conhecido como D4vd, de acordo com a denúncia. Na época em que fez a aposta, o mercado de previsões Polymarket “atribuía uma probabilidade próxima de zero a d4vd ser ‘a pessoa mais buscada no Google este ano'”, completa a denúncia.
Após o Google anunciar publicamente os resultados do “Year in Search 2025” em 4 de dezembro de 2025, a conta AlphaRaccoon de Spagnuolo lucrou US$ 1,2 milhão com suas apostas relacionadas ao “Year in Search 2025”, segundo promotores federais.
“Depois de vencer, Spagnuolo tomou medidas deliberadas para ocultar o uso ilegal de informações não públicas, tentando obscurecer a origem e a propriedade dos seus lucros ilícitos”, alega a denúncia.
Quem é D4vd?
David Anthony Burke, conhecido profissionalmente como D4vd está preso por supostamente ter assassinado a adolescente Celeste Rivas Hernández, de 14 anos. A promotoria acusa o artista de abusar da vítima, assassiná-la e esquartejar o seu corpo para ocultar a relação e proteger a sua carreira. Os restos mortais da vítima foram encontrados em setembro do ano passado no porta-malas de um carro Tesla registrado em nome do cantor. A gravadora Interscope o dispensou no fim de 2025.Colaborações com outros artistas (como Kali Uchis e Laufey) começaram a ser removidas das plataformas de streaming por solicitação e apoio da Universal Music Group. D4vd pode ser condenado à prisão perpétua ou à morte.