A Justiça francesa abriu uma investigação após a morte, no dia 8 de janeiro, de um bebê depois de consumir uma fórmula infantil da Nestlé que foi retirada do mercado por risco de contaminação, anunciou o Ministério Público da França nesta quinta-feira.
Há várias semanas, a Nestlé começou a recolher lotes de fórmulas em dezenas de países devido ao risco de contaminação com cereulide, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus. No Brasil, foram atingidas unidades das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino).
O bebê que faleceu na França consumiu a fórmula da marca Guigoz, comercializada na França, entre os dias 5 e 7 de janeiro, indicou Renaud Gaudeul, promotor de Bordeaux, no Sudoeste do país. O Ministério Público solicitou análises para determinar a presença ou não da toxina no produto e uma autópsia do bebê, nascido em 25 de dezembro.
Segundo o Ministério da Agricultura francês, essas retiradas se devem a “uma matéria-prima fornecida por um mesmo produtor na China”. De acordo com a associação Foodwatch, trata-se de um dos poucos fornecedores no mundo de ácido araquidônico, uma substância de síntese que entra na composição de alguns leites infantis por ser fonte de ômega-6.
A ONG anunciou na quarta-feira que apresentará uma denúncia para “lançar luz” sobre essas retiradas, afirmando que “milhões de bebês no mundo estavam afetados”. As unidades possivelmente contaminadas foram produzidas numa fábrica na Holanda e enviadas a diversos países.
A Anvisa proibiu as os lotes enviados ao Brasil no último dia 7 e alertou que “o consumo de alimento contaminado por essa toxina (cereulide) pode causar vômito persistente, diarreia ou letargia, que é a sonolência excessiva, lentidão de movimentos e raciocínio, e incapacidade de reagir e expressar emoções”.
Desde então, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal confirmou dois casos de bebês intoxicados após consumirem fórmula infantil de marcas produzidas pela Nestlé Brasil. Os dois, que têm cerca de 1 ano, tiveram sintomas como vômitos persistentes e diarreia.
As famílias suspenderam o uso dos produtos após perceberem que as latas pertenciam aos lotes contaminados, e os bebês estão bem. Além deles, um outro bebê, de 2 meses, foi internado em um hospital particular de Dourados, no Mato Grosso do Sul, e o caso é investigado como suspeita de intoxicação após consumo de fórmula infantil.
Em nota, a Nestlé disse que a cereulide foi detectada durante análises periódicas de qualidade e que o fornecedor do ingrediente foi notificado. Além disso, a companhia afirmou que está atuando “em estreita cooperação com as autoridades responsáveis” com “agilidade para evitar ou reduzir qualquer tipo de impacto ao consumidor”.
“Comumente encontrado em matérias-primas e ocasionalmente em alimentos, como leite e produtos lácteos, o Bacillus cereus é um microrganismo que, normalmente, não tem impacto na segurança alimentar. No entanto, ele tem o potencial de produzir substâncias, como a cereulide, que pode causar reações adversas em alguns casos”, diz. As queixas podem surgir até 6 horas após o consumo.