Uma das 8 empresas investigadas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, foi a principal doadora da campanha do deputado federal mais votado de Mato Grosso em 2014. A Galvão Engenharia, uma das principais envolvidas no desvio de recursos da Petrobrás, doou R$ 500 mil para a campanha do deputado federal reeleito, Nilson Leitão (PSDB).
O recurso foi repassado através da Direção Nacional do PSDB. O montante corresponde a mais de 20% do total arrecadado para campanha de Nilson Leitão. Na prestação de contas no TSE, o deputado declarou um gasto total de R$ 2,4 milhões – a 4ª campanha mais cara entre os deputados eleitos. Leitão fez 127.749 – um custo de R$ 19,25 por voto obtido.
Ao todo a campanha contou com 102 doações. A maior foi da Galvão Engenharia, realizada no dia 19 de setembro de 2014 – 6 meses depois da Polícia Federal deflagrar a operação Lava Jato. A doação de campanha não faz parte das investigações da operação e até o momento, é considerada “legal”.
Campanha doce
Boa parte da campanha do deputado mais votado foi regada a açúcar e álcool. Leitão recebeu doações de campanha de 6 diferentes usinas de açúcar e álcool – duas inclusive do Estado de São Paulo. Somando as doações desse setor chega-se a cifra de R$ 407 mil. Em mais da metade do Estado de Mato Grosso é proibido o plantio de cana-de-açúcar. Leitão é um dos nomes no Congresso Nacional que mais tem se levantado contra essa moratória.
Outros grandes doadores da campanha do deputado são Elusmar Maggi (R$ 223 mil), o Grupo Mônaco (R$ 200 mil), Wilson Pozzobom (R$ 200 mil), CRBS AS/Ambev (R$ 179 mil) e Erai Maggi (R$ 94 mil).
Comparando
Entre os 8 deputados federais eleitos por Mato Grosso, a campanha mais cara foi de Adilton Sachetti (PSB). Integrante da mesma chapa de Leitão, ele foi o segundo mais votado, com 112.722 votos. Sua campanha gastou R$ 3,8 milhões. A segunda campanha mais cara, do mesmo grupo, foi de Fábio Garcia (PSB), que gastou R$ 3 milhões. Ele fez 104.976 votos. Na mesma coligação está a terceira campanha mais cara. Ezequiel Fonseca (PP), gastou R$ 2,5 milhões e foi o 6º mais votado. Leitão teve a 4ª campanha mais cara, com R$ 2,4 milhões.
Na sequência estão Carlos Bezerra (PMDB), com R$ 1,6 milhões; Ságuas Moraes (PT), com R$ 993,9 mil; Victório Galli (PSC), com R$ 814 mil; e Valtenir Pereira (PROS), dono da campanha mais modesta, com R$ 320,4 mil gastos.