R$ 30 milhões e uma BMW. Esse teria sido o preço pago para o deputado federal e ex-prefeito de Sinop, Juarez Costa, “facilitar” os negócios para a Aegea – gigante do saneamento que assumiu a concessão dos serviços de Água e Esgoto em Sinop no ano de 2014. A afirmação foi reportada pelo site Metrópoles, a partir do acesso a informações da delação premiada feita por ex-diretores da empresa no ano de 2020 e homologada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), no ano de 2025.
Juarez falou sobre o assunto com o GC Notícias na tarde desta quarta-feira (17). O deputado minimizou a denúncia. “É a 5ª vez que essa história aparece, e é sempre na véspera da eleição. E sempre da mesma pessoa. Mas agora ele tá de volta, querendo tentar tirar voto em Sinop”, comentou Juarez.
Classificando como “matéria requentada”, o deputado disse que nunca foi sequer notificado sobre esse processo, que não teve acesso ao conteúdo das delações, tampouco foi chamado pelo Ministério Público Federal para prestar esclarecimentos. “Teve uma ação sobre o mesmo assunto no Estado [movida pelo Ministério Público], que também foi na véspera de campanha e não houve nenhum apontamento. Não constataram nada”, retrucou.
Juarez ainda ironizou o conteúdo da delação. “R$ 30 milhões há 12 anos atrás! É muito dinheiro. Daria para estar em Miami agora”, comentou. “E depois fala da BMW. Com esse dinheiro eu não ia querer saber de BMW. Inclusive eu já tive 8”, completou o deputado.
Questionado sobre que tipo de vantagens ele teria gerado para a Aegea como prefeito, Juarez disse que todo o processo da concessão dos serviços foi transparente, com 3 audiências públicas, licitação por concorrência pública e com as referidas legislações passando pela avaliação da Câmara de vereadores. “Eu sei que muita gente contesta a concessão em Sinop, mas é mais pelo serviço que a Águas de Sinop presta e pôr como a prefeitura regula as obras do que pelo modelo em gestão em si. Mas foi a melhor coisa que fiz. Se não fosse bom, o atual prefeito não tinha aumentado o contrato pra mais 10 anos”, rebateu.
Para Juarez, nenhuma prefeitura teria capacidade e conhecimento para implantar um sistema de esgoto e depois operá-lo de forma eficiente. São obras caras demais e um serviço que requer um conhecimento técnico e agilidade que o serviço público não detém. “Sinop está se verticalizando e tem que se verticalizar mais, para ficar ‘administrável’. Como é que vai verticalizar sem sistema de esgoto? Não tem como”, pontuou.
Contrariando a orientação dos advogados, Juarez deu uma coletiva em Cuiabá nesta quarta-feira. Na semana que vem ele pretende estar em Sinop, onde também quer falar do assunto. “Tem que tirar essa mística da Águas de Sinop. São 12 anos falando que teve ilegalidade, mas até agora não se provou nada. É só conversa. O que tem é 100% de água tratada e um sistema de esgoto. Não teria nada disso se não fosse a concessão”, argumentou.
Os serviços de água e esgoto foram transmitidos para iniciativa privada em 28 de agosto de 2014. A Águas de Sinop, empresa que pertence a Aegea venceu a concessão de 30 anos com uma oferta de 1% de desconto no valor da tarifa praticada pelo SAAES (Serviço Autônomo de Água e Esgoto). No primeiro quadrimestre de operação a empresa teve um faturamento de R$ 5,9 milhões. O “desconto” na fatura foi totalmente absorvido com o primeiro reajuste tarifário, de 16%, em agosto de 2015.