Duas das treze fazendas da Massa Falida Boi Gordo, localizadas em Comodoro, a 707 km de Sinop, que vão a leilão no dia 9 de novembro, foram ocupadas por assentados há cerca de cinco anos. Segundo os posseiros, cerca de 500 famílias moram nas fazendas Realeza do Guaporé I e Realeza do Guaporé II, ambas localizadas na BR-174.
De acordo com a Justiça de São Paulo, onde o processo de falência da empresa tramita, os grileiros não têm a posse da área e a ocupação é ilegal.
De acordo com o enfermeiro Marcelo Faustino de Oliveira, que ocupou parte da área há três anos, a associação dos assentados tenta regularizar a situação da área, porém sem sucesso.
“Estamos tentanto comprar a área que ocupamos. Já oferecemos mais do que o valor apontado no leilão para a Justiça, mas esbarramos em algumas burocracias”, contou.
Uma audiência de conciliação foi agendada para a próxima sexta-feira (27) após intervenção do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). No dia 11 de outubro, o presidente do órgão, desembargador Rui Ramos, acatou o pedido do deputado Valdir Barranco (PT) protocolar um requerimento solicitando a intervenção e mediação do conflito.
Leilão das propriedades
As fazendas da empresa, que decretou falência em 2004, estão sendo vendidas por determinação judicial para o ressarcimento das vítimas da pirâmide financeira. Com os leilões, os mais de 32 mil credores da empresa devem reaver o dinheiro investido. O caso da Boi Gordo ficou conhecido no Brasil como um dos maiores episódios de falência envolvendo pirâmides financeiras.
Criada em 1988, a empresa Fazendas Reunidas Boi Gordo iniciou em 1996 processo de abertura de investimentos em animais. Era um sonho para investidores que receberiam, após 18 meses, o lucro da venda do boi engordado com promessas de 42% de rendimento via certificados de investimentos.