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”Disparo na cabeça foi uma fatalidade”, diz delegado

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''Disparo na cabeça foi uma fatalidade'', diz delegado
? Foto: Foto: GC Notícias

Autoridades policiais se manifestaram oficialmente na manhã desta segunda-feira (25), sobre o homicídio ocorrido na madrugada de domingo, envolvendo um policial militar. Em uma coletiva realizada no CISP (Centro Integrado de Segurança Pública), um delegado da polícia civil, um tenente coronel da PM e um major da PM comentaram o ocorrido.

“Todos os fatos colhidos até aqui apontam para um caso de legítima defesa”, declarou o delegado Ugo Mendonça, delegado que estava de plantão no domingo. Foi Mendonça que interrogou o solado da PM, Jhonatan Ulysses, 28 anos, acusado de matar o empresário Edmilson Martins de Lima, 37 anos, após uma discussão de trânsito, no pátio de uma conveniência, no centro de Sinop – há menos de 100 metros da delegacia. O delegado também ouviu testemunhas e viu as imagens das câmeras de segurança do posto de combustível onde ocorreu o homicídio. Com base no que viu e ouviu, o delegado acredita que está configurada a legítima defesa. “As investigações vão determinar se o PM agiu de fato em legítima defesa ou não. Ao meu ver, foi legítima defesa. Eu teria feito pior”, comentou o delegado.

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Segundo Mendonça, a polícia não lavrou flagrante porque o PM se apresentou voluntariamente à Delegacia, narrando o fato e entregando a arma do crime. A pistola que Jhonatan portava era de propriedade pessoal, registrada e estava com 11 munições intactas.

Segundo o major PM Victor Prado, uma sindicância será aberta para apurar se foi um crime comum ou um crime militar. “O soldado ligou para o oficial do dia comunicando o fato. Ele também pediu socorro ao Corpo de Bombeiros”, comentou o major.

O soldado Jhonatan tem 10 anos de polícia militar. Trabalhou nas cidades de Claudia, Castanhal e havia sido recentemente redesignado para Sinop. No momento ele está de férias da corporação. “O policial tem porte de arma assegurado pela Constituição, mesmo quando está de folga. Como se tratava de uma arma de porte pessoal, legalizada, não há ilegalidade”, completou o tenente coronel da PM, Cleberson.

 

O que as imagens mostram?

O crime aconteceu no pátio de um posto de combustível onde existem 5 câmeras de segurança, sendo que pelo menos 2 devem ter coberto o crime. A Polícia Civil não disponibilizou as imagens para imprensa. O GC Notícias pediu as imagens ao estabelecimento e foi informado pela gerência que o delegado solicitou que as imagens não fossem repassadas à imprensa.

Mendonça disse que o inquérito será assumido pelo delegado Carlos Muniz (que está em viagem), e cabe a ele decidir se passará ou não as imagens das câmeras para imprensa. No entanto, ele contou o que viu.

Segundo Mendonça, o empresário Edmilson Martins de Lima dirigia uma Toyota Hylux SW4 na faixa esquerda da rotatória da Praça Plínio Callegaro, exatamente em frente da choperia Ditado Popular. Ao avistar uma vaga, Edmilson teria entrado abruptamente na pista da direita e engatado a marcha ré.

Foi nesse momento em que houve uma leve colisão com a S-10 pilotada pelo soldado da PM, que vinha logo atrás, na pista da direita. O dano nos veículos foi mínimo, basicamente arranhões no para-choque.

O PM parou o carro e Edmilson saiu rapidamente do interior do veículo, indo até a janela da S-10. Segundo Mendonça, nesse momento o soldado disse que estacionaria no pátio do posto, para resolver a questão. “Em todos os momentos nas imagens o policial aparece calmo”, comentou Mendonça.

Conforme o delegado, Edmilson foi até o pátio e começou uma discussão. O empresário era fisicamente maior do que o policial. O soldado teria levado a mão na cintura na tentativa de proteger a sua arma, porém sem efetuar o saque. Após um breve instante de luta corporal, os dois caíram no chão e então ocorreu o disparo. “Ao que parece a vítima tentou pegar a arma do policial, ambos caíram no chão e após isso as imagens ficam menos claras. Em nenhum momento do vídeo o policial faz o saque da arma ou mira para a cabeça. A arma só foi sacada depois que ele estava no chão e o disparo foi sem mirar. Poderia ter acertado na perna, na barriga ou no braço. Acertar na cabeça foi uma fatalidade”, pontuo.

O laudo preliminar do IML ainda não foi indexado ao inquérito. O tiro acertou o rosto de Edmilson que morreu na hora.

Edmilson era natural de São Paulo, mas morava em Maringá (PR), onde possuía uma empresa de batentes de madeira para portas. Seu corpo foi transladado para Maringá, onde será sepultado. Ele não possuía passagens pela polícia.

Conforme o delegado que instaurou o inquérito, alguns amigos da vítima declararam que ele era um homem calmo, não costumava ser agressivo ou violento.

Solado da PM, Jhonatan Ulysses

 

Empresário Edmilson Martins de Lim

Foto Flagrante