As 8 escolas de formação técnica e científica do Estado de Mato Grosso administradas pela Seciteci (Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação), estão a mercê do colapso. Não há professores e nem previsão de contratação para manter os cursos em andamento. Com isso, 12 mil alunos em todo Estado estão a mercê de ter sua formação paralisada.
A turma do curso técnico em enfermagem de Sinop já foi dispensada por falta de professores. Segundo a presidente do Sindicato dos servidores das Secitecis, professora Maria Luiza Troian, em setembro vence a maioria dos contratos temporários dos professores, o que deve ocasionar a interdição de todos os cursos.
O problema é histórico. O último concurso público realizado para contratação de servidores para o Seciteci foi no ano de 2004. Desde então os quadros docentes das escolas técnicas foram preenchidos por servidores contratados em caráter temporário. Manobra que que não é mais possível. Uma decisão do Tribunal de Justiça do Estado proibiu a contração ou renovação dos contratos temporários. A sentença fixou ainda o prazo de 6 meses para a realização do concurso público – tempo que encerra em outubro desse ano. “Esse não é um problema apenas de Sinop, mas de todo o Estado”, comentou a presidente do Sindicato que iniciou na noite dessa segunda-feira (31), uma mobilização política para chamar a atenção do governo do Estado para o problema.
Segundo Maria Luiza, a defasagem de servidores nas escolas do Seciteci é tão grande que o número dos funcionários lotados em cargos de confiança é maior do que os concursados em atividade. Atualmente são 64 funcionários concursados divididos em 8 escolas técnicas, sendo 32 em cargos administrativos e 32 professores. Em contraponto são 72 DGAs: servidores lotados em cargos de confiança preenchidos por indicação política.
Conforme o levantamento do sindicato, existem 178 professores contratados temporariamente. Destes, 71 tiveram seus contratos vencidos em agosto. A baixa fecha imediatamente 10 cursos que estavam em andamento.
Em Sinop são 14 turmas de diferentes cursos técnicos, com 60 alunos cada. Ou seja, são 840 alunos no meio da formação. Em todo o Estado são 300 cursos em andamento com um total de 12 mil alunos. Sucateadas, sem professores, sem previsão de concurso público e com o Estado impedido de contratar temporários, as escolas técnicas tendem a se tornar um gigantesco cabide de empregos, cuja a única função será lotar os apadrinhados políticos, uma vez que não há corpo técnicos suficiente para manter os cursos.
O GC Notícias enviou um e-mail para a assessoria de imprensa do Governo do Estado solicitando informações a respeito. Até o momento não tivemos respostas.