Há 2 anos, em outubro de 2018, a Usina Hidrelétrica Sinop e a Colônia de Pescadores Z-16 assinaram um termo de compromisso estabelecendo como seria o balneário e centro de apoio aos pescadores. A estrutura seria construída pela UHE Sinop e doada para associação de pescadores como uma das medidas de compensação pelos impactos provocados pelo empreendimento.
A estrutura está pronta desde maio, mas ainda não foi recebida pela associação. Segundo o diretor da UHE Sinop, Ricardo Padilha, tudo que foi pactuado com a associação foi executado. “A representante da Colônia de Pescadores pediu para que fizéssemos alguns ajustes antes de receber o Balneário. Essa avaliação está sendo finalizada. Nossa sugestão é que a associação receba a estrutura, já com a previsão dos complementos que serão feitos. Dessa forma já é possível ir operacionalizando o balneário”, comentou Padilha.
O GC Notícias visitou o Balneário dos Pescadores nesta sexta-feira (2). A estrutura foi construída em uma área de 3,6 hectares às margens do Rio Teles Pires, cerca de 22 km de distância do centro de Sinop. O acesso é pela Estrada Nanci. A previsão inicial era investir R$ 3,5 milhões na construção, mas a obra ficou um pouco mais barata – o lastro restante deve ser utilizado nos ajustes solicitados pela Colônia.
A estrutura tem duas partes distintas: o centro de apoio aos pescadores e o balneário em si. A parte que será utilizada por quem vive da pesca começa com um píer flutuante para acessar o rio. Há uma rampa e um local para manutenção de barcos e equipamentos. O coração da atividade é um centro de beneficiamento de pescados. Essa estrutura possui 3 salas em linha, para abate, limpeza, processamento e embalagem de peixes. Na ponta final, um balcão para venda. Na retaguarda, duas câmaras frias e uma fabrica de gelo. Do lado de fora, foi construído um minhocário e um tanque para iscas vivas.
Separado da “indústria” foi construído uma sede administrativa da colônia e uma casa para zeladoria. Além do mobiliário e equipamentos necessários à atividade, a doação da UHE Sinop incluí também um veículo utilitário (Fiat Strada).
A parte do lazer
A Colônia também poderá exercitar uma atividade alternativa à pesca. Junto ao complexo foi construído um balneário – como uma compensação “simbólica” à Praia do Cortado, que era de propriedade privada, mas se tornou um ponto de lazer da população local. A praia acabou sendo engolida pelo lago da UHE Sinop.
O balneário dos pescadores conta com um restaurante, piscinas, 6 quiosques e um mirante de frente para o Rio Teles Pires. Também há um campo de grama, um pequeno playground e um redário, além das estruturas de apoio, como banheiros e vestiários. Também foi construída uma estrutura de apoio para os funcionários do restaurante. Segundo Padilha, a estrutura será doada com mobília – cerca de 95% já foi comprada. Entre o Centro de Processamento e o restaurante, foram R$ 260 mil em equipamentos.
Por enquanto toda essa estrutura está fechada, com um cadeado no portão da recepção. A estimativa da UHE Sinop é promover a entrega do Balneário para Colônia de Pescadores ainda em 2020. Como a obra foi concluída em maio e a Colônia ainda não assumiu o empreendimento, a situação atual é de leve abandono.
Quem vai tocar?
O Balneário com Centro de Processamento será de inteira propriedade da Colônia de Pescadores. A UHE Sinop vai apenas entregar a chave.
Para preparar os pescadores para o novo negócio, a UHE pediu a ajuda do Sebrae, que ofertou cursos de capacitação para os membros da colônia. Os pescadores tiveram acesso a curso de boas práticas na produção de pescado, atendimento ao cliente, comportamentos empreendedores e como criar seu negócio.