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Mercado de grãos

Como as tensões políticas do Irã podem afetar o comércio de milho do Brasil

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Como as tensões políticas do Irã podem afetar o comércio de milho do Brasil
? Foto: Foto: Wenderson Araujo/CNA

O mercado de grãos brasileiro vive nesta terça-feira (13/1) um novo momento de incerteza devido à instabilidade geopolítica global. Na segunda-feira (12/1), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse, em uma rede social, que qualquer país que faça negócios com o Irã terá que pagar taxas de 25% para negociar com os americanos.

O Brasil pode ser um desses países afetados, já que, em 2025, exportou quase US$ 3 bilhões em produtos agrícolas ao Irã, com destaque principalmente para o milho.

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Dados do Ministério da Agricultura mostram que o Irã foi o principal comprador de milho brasileiro em 2025, com US$ 1,9 bilhão, incremento de mais de 115% em relação ao ano anterior.

No ano passado, o volume negociado com os iranianos chegou a 9 milhões de toneladas, mais que o dobro da quantidade importada pelo país do Oriente Médio em 2024.

“Ainda não há detalhes operacionais de como esse tarifaço vai ser aplicado, mas o mercado já começa a fazer conta. Se o Brasil mantiver esse fluxo com o Irã, entra no radar das tarifas dos EUA. Se reduzir, sobra milho aqui dentro”, disse, em boletim, a Royal Rural.

Para a consultoria, o efeito do anúncio de Trump tende a aparecer em duas frentes. No curto prazo, ruído e volatilidade, porque ninguém sabe como esse comércio será ajustado. No médio e longo prazo, o milho brasileiro entra numa zona de incerteza maior.

“O mercado vai ter que reprecificar o risco geopolítico junto com o fluxo físico”, afirmou a Royal.

Para Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, apesar das ameaças do presidente americano, é difícil imaginar que os alimentos façam parte de uma lista de produtos sujeito ao aumento de tarifas.

“Ainda não dá para dizer como esse anúncio de Trump afeta o comércio de milho. Ele declarou que vai taxar quem faz negócios com o Irã, mas não vejo ele proibindo o comércio de milho ou de alimentos em geral, uma vez que a população iraniana já está em uma situação social complicada”, ressaltou.

Ainda de acordo com o analista, a despeito das declarações de Trump, o Brasil já tem embarques de milho programados para o Irã nesta semana.

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Ainda que o Brasil exporte um volume relevante de milho para o Irã, os exportadores brasileiros teriam capacidade de destinar esses volumes para outros mercados, na opinião de analistas.

Em 2025, o Brasil exportou 9 milhões de toneladas de milho para o Irã, o que representa um quarto de todo o volume exportado de milho e cerca de 10% da produção nacional. O comércio serve para abastecer a indústria iraniana de frangos, a quarta maior do continente asiático.

Tiago Medeiros, diretor da trading Czarnikow, afirma que algum país pode passar a vender milho para o Irã, enquanto se reabastece com a oferta do Brasil. “Os iranianos não deixarão de comer”, avaliou.

Para Willian Hernandes, sócio da consultoria FG/A, a dificuldade de alocação do milho que hoje vai para o Irã só será uma questão se uma eventual restrição dos Estados Unidos perdurar por muito tempo. No curto prazo, ele acredita que seria possível alocar o milho excedente para outros destinos, ou armazená-lo nos estoques.

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