“O negócio é ir armado lá, daí quero ver se eles não atendem”. Esse foi o comentário postado em um perfil pessoal do Facebook, que fez o secretário de Saúde de Sinop, Manoelito Rodrigues, procurar a delegacia de polícia. A frase foi postada por Marcos Kubiça que comentava uma publicação em que uma pessoa reclamava do atendimento que recebeu na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), de Sinop. Para o secretário isso foi uma incitação a violência, sugerindo que as pessoas precisem ir armadas para a unidade, ameaçando a vida dos profissionais de saúde.
O fato ocorreu no dia 17 de outubro, mas Manoelito só tomou conhecimento na terça-feira (20), através de alguns funcionários da saúde que lhe transmitiram a publicação. Na quarta-feira (21), o secretário de Saúde procurou a delegacia de polícia para registrar um Boletim de Ocorrência.
Além da ameaça feita por Marcos Kubiça, foi registrado no B.O os crimes de Injúria e Difamação contra a Unidade de Saúde cometidos por Marcelo Henrique. Conforme o Boletim, Marcelo postou na sua página do Facebook que “os médicos e enfermeiros deveriam ter mais vergonha na cara”, que os profissionais da saúde são “um bando de zé ruela, bostas, irresponsáveis”. Kubiça também comentou essa postagem fazendo mais uma ameaça: “Tem que entrar na UPA e dar tiros nos médicos”.
Essa não é a primeira vez que a secretaria de Saúde toma conhecimento de injúrias e incitação à violência promovidas através das redes sociais. Segundo Manoelito, tal comportamento aumenta ainda mais os níveis de estresse dos profissionais de saúde, que já vivem no limite da exaustão devido a responsabilidade que suas atividades exigem. Para o secretário, multiplicar o ódio contra as estruturas ou as pessoas que fazem saúde pública é fomentar uma possível tragédia. “As pessoas chegam na UPA com dor, sofrendo, acidentadas, muitas vezes desesperadas, sozinhas ou acompanhadas. Todos os profissionais que lá estão irão se esforçar para dar o melhor atendimento para cada pessoa, pensando em todos que aguardam e gerenciando as limitações de estrutura e equipe, de acordo com as demandas. Uma pessoa com raiva, ou mesmo predisposta a forçar de alguma forma para ser atendido prioritariamente, desmonta toda essa organização dos procedimentos médicos, desestabiliza a equipe e prejudica as demais pessoas”, explica Manoelito.
Por isso incitações de violência e ódio contra os serviços de saúde pública serão denunciados. Queixas e reclamações envolvendo as unidades de saúde de Sinop devem ser feitas na secretaria de Saúde, pelo telefone 3520-7225 ou pela Ouvidoria da Prefeitura 0800-647-3310.