As UPA’s (Unidades de Pronto Atendimento), devem funcionar como um pronto socorro, recebendo pacientes 24 horas por dia, prestando o primeiro atendimento e, caso seja necessário a internação ou cirurgia, o paciente deve ser encaminhado para um hospital. Esse procedimento que deveria ser padrão, não está ocorrendo na UPA 24h de Sinop.
Segundo o secretário adjunto de Saúde, Gerson Danzer, mais de 50 pacientes estão internados na UPA. A unidade, construída para abrigar 5 leitos de internação e um de estabilização, foi se ajustando para comportar cada vez mais pacientes. As adaptações improvisadas foram feitas para atender a demanda frente a ineficiência do Hospital Regional local – que nos últimos anos encolheu seu número de leitos. A unidade foi construída para comportar 120 pacientes internados, chegou a 91 durante a gestão da Fundação Santo Antônio e foi brutalmente reduzido para 55 no momento em que o Instituto Gerir assumiu.
Além da redução no número de leitos, a disponibilidade também caiu. Segundo Gerson, nos últimos meses o índice de resolutividade do Hospital Regional foi baixo, o que significa que pacientes estão passando mais tempo internados do que de fato deveriam. Ao estender a permanência dos pacientes, a gestão do Regional reduz a oferta de leitos para internação. O reflexo imediato foi na UPA.
Na tarde desta quarta-feira (14), a prefeita de Sinop, Rosana Martinelli (PR), encaminhou uma nota para a imprensa local esviscerando a situação. Segundo ela, os pacientes internados na UPA aguardam por vagas de internação ou cirurgias em qualquer Hospital público do Estado. No entanto, a gestão estadual não tem conseguido dar vazão a essa demanda. “Nas diversas incursões, conversas e reuniões surgidas em razão do número elevado de pacientes internados na UPA 24h, o Município tomou ciência da existência de leitos disponíveis no Hospital Regional de Sinop, sendo que, em razão disso, se propôs inclusive a custear a internação e os medicamentos desses pacientes, bastando ao Hospital Regional disponibilizar o espaço físico (o leito) para acondicionar com dignidade o usuário, mas até o momento não houve sinalização positiva do Hospital Regional de Sinop”, narrou Rosana na nota.
Colapso no Regional
O GC Notícias tem mostrado nas últimas semanas a situação do Hospital Regional de Sinop. No começo do mês, pacientes internados na UPA foram até a frente do Hospital, protestar quanto a demora no encaminhamento para a realização de cirurgias ortopédicas.
Ontem, terça-feira (13), foi a vez dos funcionários promoverem um ato em frente ao Regional, cobrando o pagamento dos salários – há 2 meses atrasados.
Embora a secretaria estadual de saúde tenha realizado a sinalização de um repasse no valor de R$ 2 milhões, o Instituto Gerir, responsável pela gestão da unidade, acumula ainda uma dívida de R$ 15,5 milhões. Esse é o valor que a empresa tem para receber do Estado pelos serviços prestados. Com frequentes atrasos no pagamento, o Instituto Gerir não tem conseguido oferecer um atendimento meramente digno.
O sindicato dos profissionais de enfermagem anunciou que, a partir de sábado (17), deflagrará uma greve da categoria no Hospital Regional de Sinop. Por exigência de lei, apenas 30% dos enfermeiros manterão as atividades. O sindicato embasou o anúncio de greve nos frequentes desrespeitos a legislação trabalhista, a falta de estrutura, atraso nos salários, cestas básicas e demais auxílios pactuados com a categoria. O corte drástico na equipe irá precarizar ainda mais os atendimentos.