Poupadores
Se os clubes de futebol brasileiros poupassem dinheiro como poupam os atletas seriam os mais ricos do planeta. Quem joga na quarta-feira, por exemplo, domingo já é poupado para a próxima partida. Aqui se prioriza competição e não o espetáculo que afinal de contas, é a essência do futebol. Argumentos surgem aos montes. O calendário é apertado. O Brasil é continental, de viagens longas, extenuantes, ao contrário da Europa e seus países menores e deslocamentos mais curtos. Os jogos são quarta e domingo, aquela maratona desumana. E, na falta de um argumento mais sólido, sempre haverá o desconforto muscular. Que não é lesão, nem dor propriamente: é um desconforto. Algo que indica a necessidade, claro, de preservar. Mas aí a gente vê o Messi e toda essa teoria vai por água abaixo. O argentino joga uma partida atrás da outra. Ele acaba de fechar 50 partidas seguidas na Liga Espanhola. Enfrentou muitos times de qualidade duvidosa, contra os quais poderia descansar. Na temporada passada, Messi jogou 58 partidas. Pois se ele, que é o maior de todos, do alto de seu 1m70cm, caçado como é em campo, se Messi está em todas, não é hora de nossas estrelas entrarem mais em campo? Creio que há alguns dogmas por trás da preservação geral de jogadores nos clubes brasileiros. O Brasileirão não é mais um campeonato único no mundo, das distâncias continentais. Tirando Recife (Sport) e Goiânia (Goiás), virou um Rio-São Paulo acrescido da Região Sul. Só tiro curto, como na Espanha ou Itália. Os que estão na Libertadores já não disputam as fases iniciais da Copa do Brasil. Entram depois. Na própria Libertadores, os grandes podem fretar aviões, para sofrer menos com atrasos e escalas nos voos. A tendência dos estaduais é de enxugamento. Chegou a hora de, também por aqui, a preservação ser a exceção. E não a regra.
Mistério
Está cada vez mais difícil de entender a situação do meia Anderson, que mostrou o físico no dia da apresentação, jurou que estava na ponta dos cascos, pronto para jogar, mas a cada dia que passa não consegue mostrar bola para se firmar. O meia até ficou fora da delegação que viajou para enfrentar a Universidad, no Chile. Como já estamos quase no final do quarto mês do ano, parece que chegou a hora de alguém que cuida do futebol do Inter, ou talvez o próprio técnico Diego Aguirre, explicar o que acontece com o jogador, o verdadeiro motivo do pouco aproveitamento e das exibições tão deficientes que teve agora. Já tem gente afirmando que Anderson será o Kléber Gladiador colorado.
BATE-BOLA
Você sabia que … Se o atual ritmo de crescimento de sócios-torcedores for mantido, o Palmeiras levará apenas 45 dias para ultrapassar o Internacional e se tornar a equipe brasileira com o maior número de associados?
Você sabia que… Xavi entrou para a história como o jogador com mais partidas em competições europeias na vitória do Barcelona sobre o PSG, atingindo 169 duelos, um a mais que Paolo Maldini, do Milan?