Ao reassumir a cadeira de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Antônio Joaquim, fez um desabafo sobre os três anos que ficou fora da corte. Ele disse ter sido vítima da vingança do ex-governador Silval Barbosa (MDB) e da ‘mente ardilosa’ do também ex-governador Pedro Taques. O discurso foi transmitido durante a sessão ordinária desta terça-feira (23.02).
Segundo Antônio Joaquim, a perseguição e vingança de Silval teriam sido motivadas por conta de sua atuação e fiscalização rígida a frente do Tribunal de Contas. “Ufa. Faz muito tempo que não vejo esse ambiente. Há mais de três anos eu anunciava que iria me aposentar e me despedi de meus pares e naquele dia começou o turbilhão da minha vida. Há um sentimento de revolta pela certeza de que fui vítima de uma rancorosa e maldosa trama. Tenho essa convicção. De um lado pesou a vingança ardilosa do ex-governador Silval Barbosa contra minha atuação vigilante. Atentei em meus relatórios sobre as mentiras das obras da copa. Eu dizia, não vai ficar pronto, está tudo errado. A esse fato atribuo a minha citação na sua delação”, declara.
Antônio Joaquim reforçou lembrou ainda que se quer houve julgamento sobre seus atos, mas apenas uma citação de delação. O conselheiro contou que subestimou a mente perversa de Pedro Taques que teria contado com o apoio do amigo e ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot.
“De outro lado pesou a mente raivosa do ex-governador Pedro taques que em conluio com o seu colega o ex-procurador geral da republica, Rodrigo Janot para se livrar de um possível candidato e adversário em 2018. Na condição de procurador, ele atendeu o amigo Pedro Taques, pesou a mão e pediu meus dois afastamentos. Eu fui alvo de um ataque após um pré-sinalização de candidatura ao governo. Esse foi o crime que cometi, a ousadia de anunciar que sairia do TCE, de um cargo vitalício para concorrer ao cargo. É fato eu subestimei a mente maldosa e perversa do ex-governador Pedro Taques. A minha única satisfação é que naquela eleição que fui retirado do pleito a população lhe deu o seu devido tamanho, ele ficou em 4º lugar e perdeu para votos brancos e nulos. Ao meu respeito, não cometi nenhum crime, nenhuma ilegalidade. Sou absolutamente inocente”, desabafou.
O conselheiro Antônio Joaquim retornou ao TCE após três anos afastado. Além dele, o conselheiro José Carlos Novelli também retornou ao plenário da corte de contas nesta terça-feira (23.02). "Não vou defender minha inocência, porque já está estabelecida. Sigilos bancários e fiscais quebrados e agora com o parecer favorável do Ministério Público Federal para nosso retorno, fica caracterizado que o passado é um passado triste, dramático, mas que está no passado. Não há a mínima possibilidade de que aconteça algo fora deste contexto", afirmou Noveli.
Mesmo com decisão favorável do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ainda seguem afastados do TCE os conselheiros Sérgio Ricardo e Waldir Teis.