O reajuste de R$ 0,50 no preço das passagens do transporte coletivo de Sinop – o segundo em menos de um ano – foi uma recomendação da Ager (Agência Reguladora de Sinop). Manter as tarifas atuais, fixadas em R$ 2,50, comprometeria o funcionamento da empresa que opera a concessão, havendo risco, inclusive, de paralisação do serviço.
O pedido de reequilíbrio econômico-financeiro foi feito pela Rosa Transportes, detentora do transporte coletivo de Sinop. No documento encaminhado a Ager, a empresa apresenta o demonstrativo de custos e solicita um aumento de 59% no valor da tarifa. O aumento concedido foi de 20%.
O reajuste foi o segundo e menos de um ano, mas também o segundo em 11 anos. Em 2004 o valor do passe foi fixado em R$ 2,00. Em setembro de 2014 a prefeitura reajustou em R$ 2,50. A partir do dia 20 de julho o valor será de R$ 3,00.
Segundo o relatório da Ager, entre 2004 e 2015, a inflação nacional, calculada pelo IBGE, foi de 79,8%. Mesmo com os dois reajustes aplicados, em 2014 e este, o aumento sobre o valor base é de 50%.
Pode ser caro para os usuários frequentes do serviço, mas, segundo o diretor da Ager, Juventino Silva, necessário para empresa. “O pedido de reequilíbrio financeiro vem sendo solicitado desde que a agência entrou em atividade. Cobramos melhorias da empresa e ela nos apresenta os relatórios mostrando que sua viabilidade está comprometida. Por vezes o empresário [da Rosa Transportes] já sinalizou a intenção de desistir do transporte coletivo em Sinop”, explicou Juventino. “A empresa alega que não há volume de usuários. Isso compromete a viabilidade do serviço. Ou seja, não investe porque não dá retorno. Mas talvez não tenha demanda de usuários, justamente pelas condições”, completa o diretor da Ager.
A Rosa Transporte opera com 20 ônibus em Sinop. Em média são 4,5 mil bilhetes por dia, algo em torno de 135 mil pagantes por mês. Logo, com o reajuste, a receita da empresa passará dos R$ 337 mil por mês para R$ 405 mil.
Quem utiliza essencialmente o transporte coletivo acabará sentindo o aumento. Um trabalho que pega duas lotações ao dia (para ir e voltar do trabalho), ao longo de 26 dias no mês, gasta com a tarifa atual R$ 130,00. Com o aumento vai para R$ 156,00.
Mesmo com o aumento a tarifa de Sinop continua abaixo da praticada em Cuiabá e Várzea Grande. Em fevereiro deste ano as duas cidades reajustaram seus bilhetes de R$ 2,75 e R$ 2,70 (respectivamente) para R$ 3,10 as duas. Nos municípios operam 92 ônibus com mais de 30 mil passageiros por dia.