A “balbúrdia” dos universitários da UFMT desse ano rendeu mais de 500 quilos de alimentos saudáveis, livres de agrotóxicos, colhidos dentro do campus de Sinop. Esse foi o saldo de frutas, verduras e legumes, produzidos no ano de 2020 no SAF (Sistema Agroflorestal), uma espécie de sala de aula ao ar livre, que fica dentro da área da universidade.
O SAF é uma das ações englobadas no Projeto Gaia, um programa de pesquisa e extensão mantido pelos acadêmicos e professores da UFMT, com parcerias de outras instituições, como Unemat, Embrapa e Escola Técnica Estadual de Sinop.
Segundo a professora da UFMT, Rafaella Felipe, que atua no projeto, o foco é disseminar a agroecologia junto aos agricultores familiares e sensibilizar os consumidores sobre a importância da alimentação saudável, de produção local e produzidos com o mínimo possível de insumos químicos como os agrotóxicos.
O SAF acaba sendo a vitrine para isso. Nesse “quintal” da UFMT são produzidas mais de 60 espécies. O mix inclui espécies florestais, como eucalipto e castanheira, 16 tipos de hortaliças e várias frutíferas, como pitanga, banana e maracujá. Esse mini-sítio também concilia a produção de plantas medicinais, condimentos, flores e espécies apenas destinadas a produzir adubação.
A diversidade é a fórmula do sistema agroecológico. Com a mistura de culturas é possível reduzir o ataque de pragas e doenças, equilibrar o solo e aproveitar melhor os insumos.
A “safra” colhida ao longo do ano no SAF é doada para a comunidade interna e externa da UFMT. “São pessoas que não possuem recursos para adquirir alimentos saudáveis. A ideia no próximo ano é disseminar essa prática – produção de alimentos – em escolas, hortas comunitárias nas periferias e hortas domésticas”, pontuou a professora.
Em 2021 o Projeto Gaia irá implantar 12 Sistemas Agroflorestais em propriedades familiares rurais e periurbanas em Sinop e Cláudia. “Trabalhamos arduamente para fortalecer a agricultura familiar de base agroecológica em nossa cidade, para que possamos ter alimentos saudáveis a preço justo para quem produz e quem adquire”, comentou Rafaella.
Além de servir como capacitação prática para os futuros profissionais em formação, o projeto semeia um modelo produtivo com capacidade de impactar toda a cadeia alimentar da cidade e região. Comida boa, fresca, limpa e cada vez mais acessível para toda população.