Poucas doenças foram alvo de tanta inovação nos últimos anos como o diabetes e a obesidade. Ainda assim, pacientes esbarram em diversos obstáculos para manter o tratamento. Foi pensando nisso que pesquisadores começaram a desenvolver implantes de longa duração com o princípio ativo de Ozempic e companhia. Sim, depois das canetas, os chips.
Em parceria com o laboratório dinamarquês Novo Nordisk, a biofarmacêutica americana Vivani Medical anunciou, em comunicado oficial, o desenvolvimento do NPM-139, um implante subcutâneo miniaturizado capaz de liberar semaglutida — a molécula do Ozempic e do Wegovy — de forma contínua por até um ano, a partir de uma única aplicação.
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Segundo a própria Vivani, a falta de adesão ao tratamento medicamentoso é um fenômeno que atinge cerca de metade dos pacientes com diabetes e obesidade — incluindo aqueles que tomam comprimidos diários, não só quem depende de injeções semanais.
No caso dos medicamentos à base de GLP-1, essa dificuldade é amplificada por efeitos colaterais gastrointestinais, pelo desconforto repetido das aplicações e pela exigência de disciplina de longo prazo. É justamente esse gargalo que as empresas tentam resolver com uma abordagem diferente: em vez de depender da memória e da tolerância do paciente semana após semana, o tratamento passaria a ser administrado uma única vez, com efeito prolongado.
Como funciona o implante
O NPM-139 utiliza uma plataforma proprietária da Vivani, batizada de NanoPortal, projetada para liberar moléculas terapêuticas de forma estável e previsível ao longo de meses. O desafio técnico não é trivial: a semaglutida é um peptídeo grande e solúvel em água, uma classe de moléculas historicamente difícil de estabilizar em sistemas de liberação prolongada sem gerar picos de concentração — momentos em que uma quantidade excessiva do fármaco é liberada de uma só vez, aumentando o risco de efeitos colaterais.
Segundo Adam Mendelsohn, Ph.D., presidente-executivo da Vivani, a expectativa é que o dispositivo permita “um perfil farmacocinético mais suave”, sustentando o efeito terapêutico sem os picos e vales característicos das injeções semanais.
A aposta no implante de semaglutida se apoia em resultados de um estudo anterior com uma molécula relacionada. O LIBERATE-1, primeiro teste em humanos da plataforma NanoPortal, avaliou um implante de exenatida (outro agonista do receptor de GLP-1) em 24 voluntários australianos com sobrepeso ou obesidade.

