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Investigação

Saiba quem são os dois servidores da SES investigados por extorquir R$ 1,1 milhão de colega de trabalho

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Saiba quem são os dois servidores da SES investigados por extorquir R$ 1,1 milhão de colega de trabalho
? Foto: Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou hoje (21) a Operação Laço Oculto para desarticular um esquema de extorsão e lavagem de dinheiro praticado contra uma servidora pública concursada do setor administrativo da SES (Secretaria de Estado de Saúde). O prejuízo estimado à vítima ultrapassa R$ 1,1 milhão. 

Os dois servidores da pasta identificados na investigação são Fernanda da Matta e Deiwison Ortelhado, ambos concursados que atuam no setor administrativo. Segundo a apuração da DERF (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos) de Cuiabá, o esquema contava ainda com a participação de um policial militar, apontado como o articulador do fluxo financeiro, e de dois intermediários (“laranjas”) que moram em Várzea Grande.

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O delegado Hugo Abdon Lima, responsável pelas investigações na DERF, disse que o crime teve caráter oportunista e explorou a vulnerabilidade da servidora. A trama começou quando Deiwison Ortelhado pediu a conta bancária da colega emprestada sob a justificativa de estar endividado.

O colega masculino dela, da secretaria, solicitou a conta bancária dela emprestada: ‘Olha, estou endividado, preciso da sua conta bancária emprestada’. Ela, colaborativa, emprestou a conta bancária e recebeu o valor de uma outra pessoa. Esses colegas viram que era o CPF dela e disseram: ‘Agora você também está em dívida com eles, tem que pagar junto conosco senão eles vão nos matar‘”, explicou o delegado.

A partir desse enredo, Fernanda assumiu as constantes cobranças, fingindo intermediar a negociação com os supostos agiotas. Sob contínua coação, a vítima realizou transferências sucessivas entre 2022 e 2025, sendo R$ 18 mil no primeiro ano, R$ 300 mil no segundo, R$ 300 mil no terceiro e cerca de R$ 300 mil no quarto ano.

Para arcar com os pagamentos, a mulher utilizou recursos de previdência privada, saques de cartão de crédito, empréstimos e economias destinadas à construção de sua casa.

A gente entende que o crime foi muito oportunista. Eles perceberam que, literalmente, a vítima era uma ‘galinha dos ovos de ouro’. Pressionavam ela, utilizavam dessa engenharia social muito parecida com o que estelionatários fazem“, destacou Hugo.

Movimentação milionária e sequestro de bens

Análises de inteligência financeira e quebras de sigilo autorizadas pelo Poder Judiciário confirmaram que todo o fluxo de capital passava por Fernanda e Deiwison antes de ser repassado aos demais envolvidos.

O rastreamento apontou que o Policial Militar investigado já atuava como agiota antes do crime e que um dos alvos chegou a movimentar quantias incompatíveis com sua renda formal.

Um investigado movimentou ao longo do tempo R$ 7 milhões. Não tem uma profissão que dá esse rendimento, não fez nenhum negócio jurídico para isso. Então a gente percebe que existe um esquema de circulação de valores, o que leva a crer que está havendo lavagem de capitais“, afirmou o delegado.

Ninguém foi preso

Nesta fase da operação, não foram efetuadas prisões em flagrante. O Judiciário cumpriu cinco mandados de busca e apreensão, determinou o sequestro de seis veículos populares e de uma motocicleta, além do bloqueio de até R$ 3,3 milhões nas contas dos suspeitos.

Para proteger a vítima, a Justiça também impôs medidas cautelares que obrigam os investigados a manterem distância física da servidora.

A DERF (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos) segue com as investigações para identificar se outras pessoas foram vítimas do grupo. Os servidores envolvidos também responderão a procedimentos disciplinares na esfera administrativa.


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