O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (GAECO ), composto por promotores de Justiça, delegados de polícia, policiais militares e civis, deflagrou na tarde de terça-feira (13) a segunda fase da Operação Metástase, denominada “Célula Mãe” com a prisão do ex-deputado estadual José Geraldo Riva.
A magistrada decretou também a prisão preventiva de outros servidores da Assembleia Legislativa que eram ligados a presidência na gestão de Riva, são eles: Geraldo Lauro, Maria Helena Ribeiro Caramelo e o ex-auditor geral da ALMT, Manoel Marques.
De acordo com o Gaeco, esta nova fase é resultado de investigações complementares efetivadas acerca de crimes cometidos no gabinete do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, José Geraldo Riva quando da gestão de recursos públicos denominados “verba de suprimentos”.
Segundo o Gaeco, o dinheiro desviado servia para o pagamento de despesas pessoais do ex-deputado José Riva, como o combustível de sua aeronave particular, pagamento de honorários advocatícios, entre outros. Além disso o ex-deputado teria usado parte do montante para o pagamento de um “mensalinho” para políticos e lideranças políticas do interior do Estado. A distribuição de “mimos”, como uísque, pagamento de festas de formatura, jantares e massagistas também faziam parte da lista.
Os promotores do Gaeco afirmam que as prisões foram decretadas com base na garantia da Ordem Pública, Conveniência da Instituição Criminal e dentre outros argumentos que a justificaram. “Salienta-se que todos os servidores ouvidos pelo Gaeco na primeira fase da Operação Metástase (com exceção dos líderes da organização) afirmaram a existência de um estratagema criminoso arquitetado pelos líderes visando dificultar a descoberta da verdade, com a consequente blindagem do núcleo criminoso. Outras frentes estão sendo abertas e novas fases não estão descartadas”.
Caçado pelo Gaeco
Riva foi preso nas proximidades de uma farmácia na Avenida Lavapés, em Cuiabá, por ordem da juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Santos Arruda.
Após deixar o comando do Legislativo, esta é a terceira vez no ano que Riva é detido. Inicialmente, ele foi preso em fevereiro na “Operação Imperador” sob acusação de comandar um esquema de desvio de verbas através da compra simulada de materiais de escritório tendo ficado cerca de 100 dias preso.
Nesta operação, Riva acabou sendo solto por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal). A época, houve empate de dois a dois na opinião dos ministros, mas ele ganhou a soltura por causa do “in dubio por reu”.
Em 1º de julho, o ex-deputado retornou a prisão na “Operação Ventríloquo” sob a acusação de desviar R$ 10 milhões através do pagamento de uma dívida do banco HSBC. Neste caso, ele ficou cerca de 13 horas e foi solto por determinação do ministro do STF, Gilmar Mendes.
Ex-presidente da Assembleia por 20 anos, Riva responde a mais de 100 processos por fraudes no legislativo. Ele deve ser encaminhado para o centro de custódia, onde ficará na mesma unidade em que o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e os ex-secretários Pedro Nadaf (Casa Civil) e Marcel Souza Cursi (Fazenda).
Outro lado
A defesa de José Riva evitou tecer comentários sobre os motivos da prisão dele, uma vez que ainda não tem conhecimento do processo. Porém, o advogado Rodrigo Mudrovitsch considerou exagerada a nova detenção, uma vez que ele já estava cumprindo medidas cautelares impostas por conta das prisões anteriores.
Nota emitida pela defesa
A defesa do ex-Deputado José Geraldo Riva, preso na tarde desta terça-feira (13.10) em Cuiabá, afirma que por enquanto ainda não irá se manifestar sobre o caso até que tenha pleno conhecimento dos motivos que levaram à esta nova prisão uma vez que ele já cumpria medidas restritivas e não oferecia risco algum de fuga ou à sociedade. “Por enquanto não há o que declarar uma vez que ainda não tivemos acesso ao processo”, finalizou o advogado Rodrigo Mudrovisch.