Mato Grosso caminha para registrar um crescimento histórico na venda de veículos eletrificados. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que, entre janeiro e maio deste ano, foram emplacados 3.624 veículos elétricos e híbridos no estado. O número já corresponde a mais de 83% de todo o volume registrado em 2025, quando foram contabilizadas 4.366 unidades.
Com a média atual de emplacamentos, o setor projeta que Mato Grosso encerre 2026 com aproximadamente 8,7 mil veículos eletrificados comercializados, o que representaria um crescimento de cerca de 99% em relação ao ano passado.
Segundo o presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos de Mato Grosso (Sincodiv-MT), Manoel Guedes, o mercado vive uma transformação acelerada impulsionada pela ampliação da oferta de modelos, redução de preços e maior confiança dos consumidores na tecnologia.
“Hoje estamos quebrando vários paradigmas. Antes o carro elétrico era muito caro e havia dúvidas sobre desempenho e autonomia. Atualmente existem modelos mais acessíveis e o consumidor está conhecendo melhor a tecnologia”, afirmou.
Os números da Fenabrave mostram que o avanço dos eletrificados ganhou força nos últimos anos. Em 2019, Mato Grosso registrou apenas 219 emplacamentos da categoria. Em 2021, o número subiu para 803 unidades. Já em 2024 foram 2.961 veículos e, em 2025, 4.366.
Além do crescimento das vendas, os veículos 100% elétricos passaram a ganhar espaço diante dos híbridos. Em 2026, até maio, Mato Grosso registrou 1.391 emplacamentos de veículos totalmente elétricos, somando modelos de fonte interna e externa, enquanto os híbridos seguem liderando, mas com diferença cada vez menor.
Emplacamentos de veículos eletrificados em Mato Grosso
Dados consideram veículos elétricos e híbridos registrados no estado. Em 2026, os números são de janeiro a maio.
Segmento
2009
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
2024
2025
2026
Elétrico / fonte interna
8
4
83
100
9
10
2
1
2
–
–
3
8
41
47
35
118
Elétrico / fonte externa
–
–
–
–
–
–
1
–
–
2
3
14
80
204
719
1.110
1.240
Elétrico
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
2
82
47
33
Gasolina/elétrico
–
3
–
1
3
4
7
38
47
125
182
267
198
565
947
1.419
1.082
Gasolina/álcool/elétrico
–
–
–
–
–
–
–
–
–
92
282
514
541
512
440
819
540
Diesel/elétrico
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
5
65
102
91
95
61
Híbrido
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
70
217
301
189
Híbrido plug-in
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
119
418
540
361
Total geral
8
7
83
101
12
14
10
39
49
219
467
803
892
1.615
2.961
4.366
3.624
Fonte: Fenabrave. Dados de 2026 correspondem ao acumulado de janeiro a maio.
O avanço da frota também tem impulsionado investimentos em infraestrutura. Em Cuiabá, novos pontos de recarga estão sendo instalados para atender a demanda crescente dos motoristas. Atualmente, a capital já conta com estações de abastecimento em shoppings, concessionárias, hotéis e empresas privadas.
No entanto, especialistas alertam que o crescimento da frota exige planejamento. O engenheiro eletricista Felipe Vasconcelos destaca que muitos edifícios residenciais não foram projetados para suportar diversas recargas simultâneas.
“Se dez ou quinze moradores resolverem carregar seus veículos ao mesmo tempo durante a noite, pode haver sobrecarga nas instalações elétricas. Em muitos casos será necessário reforçar a estrutura dos prédios e adequar as subestações”, explicou.
O crescimento da frota também exige adaptações na rede elétrica. Segundo a Energisa Mato Grosso, a instalação de estações de recarga para veículos elétricos deve ser comunicada previamente à distribuidora sempre que houver necessidade de nova ligação, aumento de carga ou alteração do nível de tensão da unidade consumidora.
De acordo com o gerente de construção e manutenção da concessionária, Anderson Rodrigues, dependendo da potência da estação de recarga, poderá ser exigida a apresentação de projeto elétrico e adequações na infraestrutura do imóvel.
“A instalação de uma estação de recarga normalmente traz um aumento considerável da demanda de energia. Em muitos casos será necessário adequar a rede elétrica, os sistemas de proteção e até estruturas de segurança da edificação”, explicou.
A concessionária alerta que o descumprimento das exigências técnicas pode resultar em notificações e até no desligamento da instalação irregular.
Outro desafio está relacionado à segurança viária. Com o aumento da circulação dos veículos elétricos, especialistas chamam atenção para o chamado “atropelamento silencioso”. Como os motores produzem pouco ruído em baixas velocidades, pedestres, ciclistas, idosos e pessoas com deficiência visual podem ter mais dificuldade para perceber a aproximação dos veículos.
Apesar dos desafios, a expectativa do setor é de continuidade no crescimento do mercado. Segundo representantes da indústria automotiva, a ampliação da infraestrutura de recarga, a chegada de novos modelos e a redução gradual dos preços devem impulsionar ainda mais a adoção dos veículos eletrificados nos próximos anos.