Skip to content
Agrofloresta

Cultura do Cacau é difundida no Norte do Estado

Geral | as
Cultura do Cacau é difundida no Norte do Estado
? Foto: Foto: Associação

Na próxima terça-feira (28), será realizado o 2º Dia de Campo do Cacau, na Chácara Paso Kaú, no Assentamento Doze de Outubro, localizado no município de Cláudia, Norte de Mato Grosso. O evento é promovido pela Associação dos Produtores de Cacau da Amazônia Mato-grossense, em parceria com a Empaer e prefeitura de Cláudia.

As atividades começam às 8h. O Dia de Campo é uma sequência do evento realizado em novembro do ano passado, quando os produtores fizeram o plantio das sementes. Agora, com as plantas brotadas, será ensinado na prática a técnica de enxertia, para fazer o melhoramento genético das mudas e aumentar a produtividade. “Os produtores terão oportunidade de conhecer e aprimorar a técnica que é fundamental para produção em maior quantidade e menor espaço de tempo. Todo o dia de campo acontece em uma lavoura de cacau da região, que já está implementada, obtendo também informações sobre manejo de poda e roçada, acompanhando os vários estágios da cultura”, explicou o presidente da Associação e entusiasta da produção de cacau no sistema agroflorestal, Pablo Américo.

Leia mais

Pablo Américo, presidente da Associação dos Produtores de Cacau

A produção do principal insumo do chocolate ainda é módica em Mato Grosso, principalmente se comparada a Bahia e Pará, protagonistas da cultura no Brasil. A estimativa é de que 470 toneladas de cacau sejam produzidas em Mato Grosso por ano, quase que completamente por agricultores familiares.

Segundo Américo, atualmente existem vários clones/variedades de cacau adaptados para resistirem a doenças. Com esses materiais genéticos, é possível cultivar cacau desde a região Norte até a região Sudeste do Brasil. “Olhando para o mercado brasileiro isso é um ótimo cenário, pois ainda dependemos de amêndoas de cacau importadas da África para alimentar a indústria nacional. Existe um caminho longo até o Brasil se tornar autossuficiente em cacau, isso abre oportunidades para os produtores”, argumentou o presidente da Associação.

As plantações de cacau são tradicionalmente feitas no sistema “cabruca”, plantado na floresta nativa, com produtividade relativamente baixa em comparação com o sistema de agrofloresta ou pleno sol. O sistema de agrofloresta prevê um consórcio entre culturas, como frutas ou árvores exóticas, que fornecem a sobra similar a floresta nativa. Já no sistema de “pleno sol”, o cacaueiro vira monocultura, plantado em áreas sem sombreamento. “Exige um manejo mais rigoroso em relação à irrigação e adubação, mas a produtividade é alta, com espaçamento menor entre plantas”, explicou Américo.

Em outubro desse ano a associação vai realizar o 3º dia de campo, plantando as mudas que serão enxertadas na próxima terça-feira. O objetivo é instruir sobre todas as etapas da produção, para que os agricultores possam multiplicar a cultura em suas propriedades.

Como meta maior, a associação mira o beneficiamento do cacau produzido na região Norte do Estado, que atualmente é vendido para empresas de Rondônia e do Pará). Américo ressalta que fazer o chocolate no município de Cláudia vai verticalizar a cadeia produtiva, agregando valor ao máximo e gerando renda para as famílias envolvidas. “O beneficiamento do cacau deve ser feito em uma agroindústria de produtos de origem vegetal, onde, além do chocolate, outros derivados do cacau e demais produtos vegetais, como castanha do Pará e polpas de frutas possam ser processados”, ressaltou.

Assim como o plantio em consórcio é o mais vantajoso para o cacau, seu beneficiamento associado também. A ideia não é produzir cacau em commoditie, mas sim em doces acabados que podem ir direto para gôndola do mercado.

Foto Flagrante