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Regime Islâmico

Iraniano baleado ‘se finge de morto por três dias’ para evitar execução pelo regime teocrático de Teerã

Polícia | as
Iraniano baleado 'se finge de morto por três dias' para evitar execução pelo regime teocrático de Teerã
? Foto: Foto: Reprodução

Um iraniano ferido permaneceu deitado entre mortos no centro de medicina-legal de Kahrizak (província de Teerã, Irã), fingindo-se de morto por três dias, com medo de que, se fosse descoberto, autoridades do regime teocrático do aiatolá Ali Khamenei o executassem com um “tiro de misericórdia”, informou o Centro de Documentação de Direitos Humanos do Irã (IHRDC) nesta quarta-feira (21/1). O homem teria sido ferido na onda de repressão aos protestos populares que varreram o país nas últimas semanas.

O IHRDC está investigando o caso, mas devido aos bloqueios e às restrições de internet impostos pelo governo iraniano, a verificação dos detalhes passados não foi possível, conforme relatou reportagem no “Jerusalem Post”.

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De acordo com o relato compartilhado pelo IHRDC, a família do homem passou três dias procurando por ele, que havia desaparecido durante os tumultos, vasculhando hospitais e o cemitério de Behesht Zahra antes de finalmente encontrá-lo no centro de Kahrizak, onde imagens dos corpos de manifestantes haviam se espalhado pela web.

O sobrevivente estaria ferido a tiro. Segundo o relato, ele permaneceu imóvel sob um lençol de plástico por três dias, sem comida ou água. Após ser localizado, ele foi transferido para um hospital para tratamento. A identidade do ferido é desconhecida.

A BBC afirmou nesta quarta-feira ter recebido centenas de imagens de vítimas mortas, tiradas no Centro Médico Forense de Kahrizak, na Grande Teerã. A emissora informou ter identificado 326 pessoas a partir de 392 fotos em close-up das vítimas, com uma fonte relatando ter visto mortos com idades entre 12 e 13 anos, e até de 70 anos, no local. A BBC informou que muitas das vítimas estavam desfiguradas demais para serem identificadas, e que 69 delas foram simplesmente rotuladas como “Fulano” ou “Fulana” em persa.

A repressão do regime islâmico aos protestos já deixou milhares de mortos desde o início das manifestações.

O HRANA, grupo de direitos humanos iraniano com sede nos EUA, confirmou a morte de 4.519 pessoas. Outras 9.049 estão sob investigação pelo grupo.

Clemência

A polícia iraniana prometeu, na segunda-feira (19/1), clemência aos manifestantes “enganados” que participaram dos protestos antigovernamentais. Uma autoridade da força de segurança afirmou que o acesso à internet retornará gradualmente ao normal nesta semana, após uma interrupção de 11 dias. O chefe da polícia nacional prometeu punições mais leves para os manifestantes que se entregarem em até três dias, pois acredita que alguns foram enganados para participar dos protestos.

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