A análise do STJ ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta o crescimento da obesidade. Hoje, 7 em cada 10 adultos estão acima do peso, e 31% já são obesos. A doença cresce mais rapidamente entre as populações que dependem do SUS, o que aprofunda desigualdades. Para especialistas, o país já vive um cenário crítico que exige políticas preventivas e ampliação do acesso a tratamentos eficazes.
Apesar da dimensão do problema, o tratamento disponível na rede pública é limitado. O SUS não oferece nenhum medicamento específico para obesidade. O cuidado se concentra nas consequências — diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares — e não na doença em si.
➡️ A única alternativa terapêutica disponível é a cirurgia bariátrica, mas o acesso é restrito: apenas 10% de todos os procedimentos feitos no país, são feitos no sistema de saúde público.
É nesse contexto que a chegada de versões genéricas das canetas de semaglutida e liraglutida é vista como estratégica pelos especialistas. Apesar de reforçarem que não pode ser vista como única medida, já que a obesidade é uma doença multifatorial e que exige tratamento multidisciplinar e melhoria no acesso à alimentação de qualidade para a população.
O g1 conversou com pesquisadores e especialistas de mercado que explicam que com a queda de patente, os preços das canetas devem cair. Assim como aconteceu com a liraglutida, que a EMS passou a produzir a versão brasileira por R$ 300 cada caneta.
Segundo os especialistas, a rapidez com que os preços podem cair depende da resposta do mercado. Ou seja, quantas canetas já estariam disponíveis. Nesta segunda-feira (9) o Ministério da Saúde confirmou que pediu urgência na análise de 20 canetas, algumas delas de semaglutida, na Anvisa.
A agência ainda vai analisar os casos, mas há a expectativa de pelo menos duas marcas aprovadas ainda este ano. Isso pode criar um cenário em que, se mantendo a queda da patente, o mercado nacional já teria novas opções — movimento que reduziria os preços.
A pesquisadora Lia Hasenclever, que estuda o impacto de patentes no sistema público de saúde, afirma que, normalmente, quando o medicamento perde a patente, a queda de preço depende da concorrência.
“Com o movimento das empresas e do Ministério da Saúde, já temos sinais de que esse valor começa a cair e essa queda pode ser drástica”, aponta Lia.