Nesta quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic, a referência para os juros da economia, em 15% ao ano pela terceira vez seguida. Esse é o maior nível da Selic desde 2006 e a decisão impacta de maneira prática a vida dos brasileiros de duas formas: de um lado, os financiamentos e empréstimos continuam caros, mas de outro, o retorno da renda fixa continua bastante atrativo.
A manutenção dos juros altos afeta especialmente os juros dos papéis de renda fixa que acompanham o CDI (uma taxa que anda colada na Selic), como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e as Letras de Crédito Agrícola e Imobiliário (LCAs e LCIs), ou que seguem a Selic, como os títulos do Tesouro Direto com o nome de Tesouro Selic. Quando o Copom deixa inalterados os juros nesse nível, esses papéis seguem com rentabilidade muito boa.
A Selic nesse nível impacta a caderneta de poupança também, em menor intensidade. A caderneta deixa de ter o rendimento aumentando de forma linear quando a taxa está acima de 8,5%. Abaixo desse nível, a remuneração da poupança fica em 70% de quanto forem os juros de referência.
Quando a Selic supera os 8,5% (não importa se 8,75% ou 20%, por exemplo), o retorno da poupança é limitada a 0,5% ao mês, ou 6,17% ao ano, mais a variação da taxa referencial (TR), regra conhecida como a da “poupança velha”.
Contudo, é importante saber que, com a taxa acima de dois dígitos, a TR deixou de render zero e deve agregar à poupança uma rentabilidade. Apesar disso, os demais investimentos de renda fixa continuam rendendo muito mais que a caderneta.
O que esperar dos juros?
Atualmente, os economistas esperam que os juros sigam em 15% ao ano até o fim de 2025 e recuem para 12,25% ao ano até o fim de 2026, segundo as projeções do Boletim Focus. Os papéis mais conservadores, que acompanham o CDI ou a Selic, tendem a render mais dentro de cinco anos do que os papéis prefixados e que seguem a inflação.
Porém, as remunerações desses títulos à venda estão altíssimas ainda. No Tesouro Direto, os que acompanham a inflação estão oferecendo taxas perto de 8% mais a inflação ao ano, enquanto os papéis prefixados estão pagando perto de 14% ao ano.
Mas quanto vai render?
A calculadora de renda fixa do Valor Investe, uma ferramenta que o leitor pode usar na sua vida, mostra que, ao aplicar R$ 1 mil no papel Tesouro Selic, o saque seria de R$ 1.123 depois de um ano, descontando o Imposto de Renda.
Em um CDB que oferece pagar 100% do CDI ou em um fundo DI com taxa zero, o resgate seria também de R$ 1.123 depois de um ano, descontando o Imposto de Renda. Já em uma LCA ou LCI que remunera 85% do CDI e é isenta de Imposto de Renda, a retirada seria maior ainda, de R$ 1.127.
No Tesouro Prefixado, o saque seria de R$ 1.115 depois de um ano, descontando o Imposto de Renda. No Tesouro IPCA+, o resgate seria de R$ 1.099, descontando o Imposto de Renda.
Já na poupança, o saque seria menor, de R$ 1.084. Embora pareça pequena, a diferença é grande no longo prazo. Quanto maior o tempo de aplicação, menos vantajosa é a poupança.
Veja as simulações feitas na calculadora de renda fixa do Valor Investe.
Simulação de investimento em um ano
LCI e LCA
CDB
Tesouro Selic
Fundo DI
Tesouro Prefixado
Tesouro IPCA+
Poupança
Valor bruto acumulado
R$ 1.126,65
R$ 1.149,00
R$ 1.149,00
R$ 1.149,00
R$ 1.140,00
R$ 1.120,60
R$ 1.083,83
Rentabilidade bruta
12,66%
14,90%
14,90%
14,90%
14,00%
12,06%
8,38%
Custos
R$ 0,00
R$ 0,00
R$ 0,00
R$ 0,00
R$ -0,00
R$ 0,00
R$ 0,00
Valor pago em IR
R$ 0,00
R$ 26,08
R$ 26,08
R$ 26,08
R$ 24,50
R$ 21,11
R$ 0,00
Valor líquido acumulado
R$ 1.126,65
R$ 1.122,93
R$ 1.122,93
R$ 1.122,93
R$ 1.115,50
R$ 1.099,50
R$ 1.083,83
Rentabilidade líquida
12,66%
12,29%
12,29%
12,29%
11,55%
9,95%
8,38%
Ganho líquido
R$ 126,65
R$ 122,93
R$ 122,93
R$ 122,93
R$ 115,50
R$ 99,50
R$ 83,83
Simulação de investimento em cinco anos
CDB
Tesouro Selic
Fundo DI
LCI e LCA
Tesouro Prefixado
Tesouro IPCA+
Poupança
Valor bruto acumulado
R$ 2.002,63
R$ 2.002,63
R$ 2.002,63
R$ 1.815,29
R$ 1.925,41
R$ 1.767,07
R$ 1.495,57
Rentabilidade bruta
100,26%
100,26%
100,26%
81,53%
92,54%
76,71%
49,56%
Custos
R$ 0,00
R$ 0,00
R$ 0,00
R$ 0,00
R$ -0,00
R$ -0,00
R$ 0,00
Valor pago em IR
R$ 150,39
R$ 150,39
R$ 150,39
R$ 0,00
R$ 138,81
R$ 115,06
R$ 0,00
Valor líquido acumulado
R$ 1.852,23
R$ 1.852,23
R$ 1.852,23
R$ 1.815,29
R$ 1.786,60
R$ 1.652,01
R$ 1.495,57
Rentabilidade líquida
85,22%
85,22%
85,22%
81,53%
78,66%
65,20%
49,56%
Ganho líquido
R$ 852,23
R$ 852,23
R$ 852,23
R$ 815,29
R$ 786,60
R$ 652,01
R$ 495,57
Cuidado com o emissor dos papéis
Cabe lembrar que os papéis de renda fixa emitidos pelos bancos, caso de CDBs, LCAs e LCIs, têm seu risco associado ao balanço do banco emissor. O risco é eles não remunerarem o investidor como combinado por dificuldades financeiras das instituições, que podem ser maiores do que no Tesouro Direto. Em tempo de juros altos como agora, aumenta esse risco.
Por causa disso, a remuneração desses produtos é maior em comparação à oferecida no Tesouro Direto. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é como um seguro que cobre até R$ 250 mil por banco em caso de inadimplência da institituição, mas esse recurso pode demorar para cair na conta. Também, papéis emitidos por companhias e não por bancos, como os Certificados de Recebíveis Imobiliários e Agrícolas (CRIs e CRAs) e as debêntures, não são cobertos por esse fundo.
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