A Marfrig, uma das maiores indústrias de proteína animal do mundo, suspendeu a produção de carne bovina destinada aos Estados Unidos em sua planta localizada em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. A decisão, comunicada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), entrou em vigor no último dia 17 de julho e confirmada nesta quarta-feira (30). A justificativa da empresa está relacionada à tarifa de 50% imposta pelo governo Trump sobre produtos brasileiros, oficializada hoje.
A unidade afetada é uma das principais da empresa no país, reativada após investimento de R$ 100 milhões e com capacidade para abater até 2 mil animais por dia. A medida afeta diretamente as exportações brasileiras de carne para os EUA, o segundo maior mercado do setor, atrás apenas da China. Em 2024, o Brasil exportou 189,2 mil toneladas de carne bovina para o mercado norte-americano, o equivalente a 7,4% do total das vendas externas.
De acordo com analistas do setor, a paralisação da produção reflete a insegurança provocada pela adoção das sobretaxas, que são vistas como retaliação política e uma forma de proteção ao mercado interno dos Estados Unidos.
Ainda não há confirmação se a suspensão será temporária ou definitiva, mas a expectativa é de que outras empresas do setor sigam caminho semelhante, redirecionando suas cargas para outros mercados ou interrompendo temporariamente a produção voltada ao mercado americano, na tentativa de minimizar prejuízos.
A decisão da Marfrig ocorre em meio à mobilização de autoridades e representantes do agronegócio brasileiro para tentar reverter a medida protecionista imposta pelo governo dos Estados Unidos, que deve entrar em vigor no dia 6 de agosto.