Em toda estação das chuvas, a pergunta não é se vai alagar no centro de Sinop, mas quando vai alagar. Todos os anos as vias do município, principalmente na área central, inundam – resultado de um volume de água superior a capacidade de vazão dos tubos. Ruas intransitáveis, valetões transbordando e água invadindo comércios são cenas que se repetem no período chuvoso.
Um serviço contratado pela prefeitura de Sinop tem potencial para minimizar, ou mesmo resolver o problema. Trata-se de um equipamento especializado na limpeza das galerias pluviais. O serviço, que começou a ser realizado nesta semana, é fornecido pela R. Fant Soluções Ambientais, uma empresa do Paraná que atende prefeituras em seu Estado, limpado as redes de drenagem, desde 2009.
A prefeitura de Sinop fez um contrato “experimental”, pequeno, com 500 horas do serviço, que serão prestados ao longo de dois meses ao custo de R$ 250 mil. Assim, a gestão espera testar a funcionalidade da solução oferecida pela empresa. “Pelo levantamento da Secretaria de Obras, Sinop tem em torno de 23 mil bocas de lobo. Com esse serviço conseguimos atacar os pontos críticos de uma forma mais eficaz e que não coloca em risco os servidores”, comentou o secretário de Obras, Lúcio Silva.
Segundo o proprietário da R. Fant, Marcelo Ramos, com esse contrato será possível limpar cerca de 500 a 600 bueiros e desobstruir em torno de 8 quilômetros de galerias pluviais. A mensuração não é precisa, já que alguns pontos exigem mais tempo de trabalho do que outros.
Marcelo empreende no ramo da mecânica desde 1997. Em 2008, um primo participou de uma feira de tecnologia na Alemanha onde viu o sistema inovador para limpeza de galerias pluviais. Em 2009 Marcelo converteu um dos seus caminhões guincho, instalando o equipamento. Hoje a empresa conta com 10 veículos do tipo prestando serviços para várias prefeituras.
O maquinário carregado pelo caminhão é um “monstro” capaz de produzir um super vácuo, com pressão negativa de meio quilo, que desloca 200 metros cúbicos de ar por minuto. Esse aspirador de proporções industriais está ligado a um tubo de 10 polegadas, que suga toda a sujeira dos bueiros. “Pedra, terra, plástico, garrafas de vidro, madeira… o que passar pelo tubo a máquina carrega”, explica Marcelo.
Acoplado ao sistema há um hidrojato que chega a 200 bar de pressão – o dobro de um lava-jato convencional. Com uma mangueira de 120 metros de comprimento, esse hidrojato tem uma vazão de 450 litros (quase uma caixa de água pequena), por minuto. “Caso a rede tenha pontos de visitação [acesso] a cada 70 metros, conseguimos com esse equipamento limpar por completo as galerias”, enfatiza Marcelo.
No próximo mês o empresário pretende enviar para Sinop o seu novo maquinário: um caminhão com um compressor ainda mais potente. “É uma tecnologia que não tem no Brasil e que é referência na limpeza urbana”, destacou.
Solução para dengue
Embora o foco do serviço contratado pela prefeitura seja resolver o problema de drenagem, o efeito colateral pode ser reduzir os casos de dengue. Segundo Marcelo, nesses quase 13 anos que a empresa opera o serviço, é comum encontrar grandes infestações de mosquitos nas galerias. É como se toda cidade estivesse sobre um gigantesco criadouro de mosquitos. “Na tubulação entupida tem água parada e escuridão, tudo que o mosquito precisa para procriar. Nossos funcionários tomam um ‘banho’ de repelente antes de abrir uma galeria, para se proteger dos insetos”, comenta.
Pela forma como as bocas de lobo, bueiros e redes são projetadas, há um vão de aproximadamente 20 centímetros entre o fundo da caixa e o tubo, o que forma uma lâmina d’água ideal para proliferação dos mosquitos.
Marcelo acredita que com um contrato de 350 horas por mês a prefeitura de Sinop conseguiria deixar sua rede de drenagem constantemente limpa.