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Problemas financeiros

Hospital filantrópico corre risco de fechar as portas

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Hospital filantrópico corre risco de fechar as portas

Em plena 2ª onda da pandemia de Covid-19, uma das mais importantes estruturas hospitalares do Norte de Mato Grosso está na eminência de fechar as portas. Com um sério problema financeiro, o Hospital Santo Antônio, de Sinop, será forçado a paralisar seus atendimentos, ainda esta semana, se o quadro não for revertido.

O alerta é do diretor da unidade hospitalar, Wellington Randal. Segundo ele, a fundação filantrópica, que administra a unidade, tenta receber do Governo do Estado cerca de R$ 70 milhões, oriundos de serviços prestados pelo Hospital Santo Antônio e também pelo hospital regional de Sinop, na período que a fundação geriu a unidade. “Chegamos a um ponto em que não é possível mais administrar a dívida. Fornecedores essenciais do Hospital estão há meses sem receber”, revela Randal.

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Embora a direção venha negociando com essas empresas, há um risco alto de que o fornecimento seja suspenso em breve. Um desses fornecedores é a Energisa. Conforme Randal, o hospital possui 5 contas de energia atrasadas. Em média, o consumo mensal na unidade é de R$ 100 mil. Uma das preocupações é de que simplesmente a concessionária corte o fornecimento de energia.

Outro insumo fundamental são os gases medicinais (oxigênio), utilizados justamente nos pacientes com os quadros mais graves. A empresa que fornece o produto regularmente está desde setembro sem receber. No começo da semana, a empresa notificou o Hospital Santo Antônio, comunicando uma possível (e quase irremediável), suspensão no fornecimento, caso o pagamento não seja feito.

Além do valor que o Hospital tem para receber do Estado, a pandemia elevou consideravelmente os custos operacionais da unidade. Segundo Randal, todos os insumos tiveram alta nos preços, em alguns casos na faixa de 500%. “De forma geral, nesse ano, o Hospital teve um prejuízo de R$ 7,5 milhões”, declarou o diretor.

A folha de pagamento também está atrasada. O Hospital não conseguiu pagar o salário de novembro e não tem previsão quanto ao 13º salário dos funcionários. As cestas básicas, que fazem parte do acordo com trabalhadores da unidade, também estão atrasadas.

A solução vislumbrada pela Fundação é receber uma conta do Estado que é tida como “certa”. Trata-se do IAC (Incentivo de Adesão à Contratualização). Esse programa repassa recursos do Governo Federal como incentivo para Hospitais Filantrópicos que atendem pacientes do SUS. Normalmente, a Fundação Santo Antônio recebe R$ 192 mil por mês referente ao IAC. No entanto, desde abril de 2015 o Estado não repassa o recurso. “São quase R$ 16 milhões que deveriam ter entrado no caixa do Hospital e foram retidos pelo Estado”, afirmou Randal.

Independente das ações judiciais que remontam o período em que a Fundação administrou o Hospital Regional de Sinop, o Hospital Santo Antônio tenta agora receber esse recuso do IAC para conseguir colocar as contas em dia e sobreviver ao ano de 2020. “Com esse dinheiro o Hospital tomaria um fôlego. Do contrário, vai morrer, ou pelo menos funcionar mal”, comentou.

Com 200 leitos, UTI adulto e Neo-natal, o Hospital Santo Antônio é uma das mais significativas estruturas de saúde do Norte de Mato Grosso. Por mês, 1,3 mil internações são contabilizadas na unidade. O hospital também é o único a fazer partos pelo SUS em Sinop. Todos os meses cerca de 350 crianças nascem no Santo Antônio. Além disso, a unidade também é referência no atendimento de pessoas com câncer. São 630 profissionais da saúde lotados na unidade.

A interrupção dos atendimentos, total ou parcial, causaria um colapso toda a rede de saúde do Norte de Mato Grosso, que já anda debilitada em função da pandemia.

O GC Notícias acionou o Secretaria de Saúde através da sua assessoria de comunicação, mas até o fechamento dessa reportagem não obteve resposta.

 

 

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